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O dia que quase deu polícia na casa da minha vó

2020.06.17 22:01 sugaeuteamo O dia que quase deu polícia na casa da minha vó

Olá Matheus, Luiz, tuxo, turma, donas da casa (gatas) e interlocutor Luba que está a ver, convidado que não tem.
Eu sempre pensei em escrever essa história, e sempre me deu preguiça, mas como não tenho nada para fazer resolvi escrever ela, perdão se tiver algum erro e que eu estou acostumada em escreve só uma inglês. Tudo aconteceu na copa e 2014 onde minha tia surrou o marido e a cunhada dela. Mas antes que eu conte o fato em si, devo contar o motivo desse apocalipse na casa da minha vó. Minha tia tinha três anos de casada com esse cara que era dez anos mais novo que ela e isso estava tudo bem porém o que não estava bem era o fato dele ser um tremendo FDP porque ele traía minha tia com várias mulheres, acho que minha tia tinha tanto chifre quanto o Jean, o pior e que todo mundo sabia menos, é claro, a minha tia. Nessa época eu fui à um barzinho com uma galera da faculdade para beber em comemoração aos meus dezoito anos (Sério, fazer dezoito anos não é nada especial) a noite não podia ser melhor até que em uma determinada hora eu falei que ia ao banheiro e no caminho qual não foi minha surpresa ao encontra o marido da minha tia sentado na parte aberta do bar, bom eu como uma menina que ainda tinha esperança pensei. “Pode ser que ele esteja com minha tia.” Ledo engano, ele tanto não estava com ela como a pessoa que estava com ele era quem eu menos esperava, a mulher do meu tio (cunhada da minha tia traída) que tinha nada mais nada menos que dezessete Fuck anos de casada com meu tio, ele estava sozinho na mesa e ela chegou já beijando ele, pareciam bem íntimos o que me fez pensar que eles já tinha um tempo fazendo isso. Fiquei tão surpresa que passou até a vontade de mijar, voltei para mesa e dei uma desculpa qualquer para sair dali antes que eles me vissem. Naquele dia pensei o que devia fazer, ficar calada? Contar tudo? Poxa o casamento do meu tio com a mulher que eu chamava de tia era um exemplo para mim e o pior, ela era missionária, que moral ela tinha para dá sermão nos outros. Isso aconteceu em fevereiro que é o mês do meu niver, e agora já era dia doze de junho primeiro jogo do Brasil, eu sei a data tão precisamente por que minha vó faria aniversário dia treze de junho e os seus filhos decidiram fazer um almoço em família e convenientemente assistir o jogo na casa dela. Todos começaram a chegar e como eu moro há quatro casas da minha vó não estava com pressa, principalmente por saber que aqueles adúlteros estariam lá. Já era onze horas da manhã e eu tinha que ir, minha vó me bateria se eu não fosse, ao chegar lá vejo o meu tio conversando e rindo com o traíra e minha tia em uma roda de conversa respirando o mesmo ar que a crente do c* quente. Aquilo me deu uma raiva. Todo mundo já tinha almoçado e alguns tios, tias e primos estavam bebendo na parte de fora da casa, estava quase na hora do jogo e tudo parecia tranquilo todos estavam rindo, até que minha tia que já estava um pouco alta ,pelo álcool, levanta e vai para dentro da casa. Não demorou nem dez minutos e todos escutam estrondo de coisas caindo no chão e gritos, o que fez todos entrarem para dentro da casa. Lá encontramos a seginte cena, minha tia segurando com as duas mãos nos cabelos da cunhada dela e o traíra segurando minha tia pedindo calma. Não dava para escutar o que eles falavam era muita gritaria e palavrões, minha tia e professora de judô então ela se atracou com a mulher e depois pegou os dois de uma forma surreal ela parecia um polvo, seria engraçado se não tivesse sido tão desesperador na hora. Só sei que a briga durou uns trinta minutos. Sério uma professora de judô traída com álcool no sangue é assustadora, foi preciso quatro homens para segurar ela, parecia despacho de macumba quando o espírito desse. Minha vó começou a mandar todo mundo embora, por que avizinhas que assistem BBB estavam bisoiando pela janela e elas eram problemática, já chamaram a polícia para meu pai... Mas isso é outra história. Depois do show todos foram embora, ficou apenas a minha tia traída, meus pais, minha vó e eu, aí sim, ela desabou no choro e contou o que aconteceu, ela viu os adúlteros se acariciando e marcando de se encontrarei, tinha mais coisa mas parecia que minha tia não queria lembrar. Bom o que aconteceu depois dessa briga foi que minha tia se separou, vendeu a casa dela e foi para o Uruguai morar perto do filho dela e lá ela se casou ano passado com um pai de um aluno dela, meu tio perdoou a mulher dele mas uns meses depois descobriu que ela estava gravida e meu tio fez vasectomia, então ele se separou dela um ano depois do acontecido. Minha tia não falou com meu tio durante dois anos por ele ter perdoado a mulher dele. É essa é a história de um dos barracos que teve na minha família, tenho alguns outro que deu até polícia, e putros que o cara pulou o muro da minha casa pelado... (minha família e a vizinhança é barraqueira) mas deixa para uma próxima turma-feira, assim sobra conteúdo para os próximos vídeos. Beijos 
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2019.12.02 08:49 altovaliriano Fãs armados cavaleiros por GRRM

Link: https://www.laweekly.com/winter-is-coming-so-are-the-cheesesteaks-on-game-of-thrones-george-rr-martin-food-quests/
Autor: Margy Rochlin
Título original: Winter is coming & so are the cheesesteaks: on Game of Thrones, George RR Martin + food quests

[...]
Em reuniões anuais em várias cidades, Martin envia seus seguidores (frequentemente pessoas que vieram de outros lugares e, portanto, não familiarizados com os arredores) em busca de alimentos para os quais, em troca, são oficialmente nomeados cavaleiros. Da maneira como Miller descreveu as "missões", elas pareciam uma versão divertida e rudimentar de The Amazing Race, ou talvez uma caça ao tesouro que também envolve comer, beber muita cerveja, se gabar de uma noite louca bem aproveitada e receber um apelido adequado a um herói. Nós queríamos saber mais!
Em nossa entrevista, falamos com David M. McCaman, um executivo de marketing de São Francisco, fundador do fórum eletrônico Brotherhood without Banners e um antigo cavaleiro armado por Martin.

Squid Ink: De acordo com a história, as missões começaram com um fã de George RR Martin, uma solicitação e um passeio noturno em massa até a esquina da 9th Street e a Passyunk Avenue, em South Philly [bairro da cidade de Filadélfia, EUA], em busca de um cheesesteak. Detalhes, por favor.
David M. McCaman: O primeiro encontro real de todos os fãs que se conheceram através de fóruns foi em 2001, na WorldCon da Filadélfia. Um dos nossos convidados da festa do fã-clube, que também era membro do fórum da BwB [Brotherhood Without Banners], queria que George o armasse cavaleiro. É claro que George sendo George disse: "Você não pode ser um verdadeiro cavaleiro sem uma vigília e uma missão..."
SI: ... e em algum momento, foi decidido que a missão envolvia buscar um Philly cheesesteak no Pat’s King of Steaks. Porque lá? Foi a alusão à realeza no nome? Ou porque o proprietário Pat Olivieri é considerado o criador do Philly cheesesteak?
DM: Na Filadélfia, há o Pat’s King of Steaks e do outro lado da rua há o Geno’s Steaks. Sempre houve uma guerra entre Pat e Geno sobre quem tem o melhor cheesesteak. Pat's é o que George mais gostava, então todos fomos para lá. Por volta das duas ou três horas da manhã, George usou a espada que um dos membros da BWB trouxe e armou cavaleiro a todos e deu-lhes um nome, chamou-os de Ser [Sor] ou Dame [Dama] e armou todo mundo.
SI: Espere, espere, espere. Uma espada? Alguém calhou de ter uma espada consigo?
DM: Alguém trouxe uma espada [cênica] para o hotel onde a festa acontecia. Era a WorldCon - havia muitas pessoas se fantasiando, muitos autores de fantasia e ficção científica. Então, sim, ele trouxe a espada consigo [para a Pat’s].
SI: Então você está dizendo que não era particularmente incomum alguém ter uma espada com eles?
DM: Não, mas imagino que era bastante incomum estar na frente do Pat's Steaks às 3 da manhã com [George] segurando uma espada, armando cavaleiros. Foi a única [missão] que ele realmente veio junto. Geralmente as pessoas [que estão sendo armadas cavaleiros] saem e trazem a comida de volta. Mas ele saiu conosco e fizemos tudo bem na frente do Pat’s.
SI: Vamos voltar um pouco. Descreva este cheesesteak digno de uma missão.
DM: Foi fantástico. George recomendou que todos conseguissem o original, que é o chessesteak básico com [Cheez] Whizz. Mas outras pessoas tinham o com provolone, ou com o Whizz; algumas buscaram com banana pepper ou pimenta.
SI: Como a visita ao Pat se transformou em uma tradição de longa data?
DM: O grupo original voltou aos fóruns e conversaram entre si e colocavam nas assinaturas de seus posts "Ser Isso-e-Aquilo, Cavaleiro do Cheesesteak" e tinham fotos de George armando-os. No ano seguinte, já se esperava que pessoas novas se prontificassem. A partir daí, tornou-se uma tradição que, antes ou depois da festa da BWB, os novos membros (aqueles que ainda não houvessem sido armados cavaleiros) fossem procurar a comida local que George desejasse.
SI: Descreva a cerimônia de armar cavaleiro em si. O que exatamente acontece?
DM: Você se ajoelha, George coloca a espada em seus ombros, então ele pega seu nome ou apelido - a maioria das pessoas tem apelido - e ele lhe dará um "Ser" ou uma "Dama", a depender se você é homem ou mulher, então ele criará um segundo apelido para você. Como o primeiro cara, o cara dos steaks que trouxe a espada. Ele levou George [para o Pat’s] em seu carro - enquanto todos nós pegávamos táxis - e se perdeu totalmente. Então George o chamou de Sor Aghrivaine, o Andarilho.
SI: Que tipo de transporte é necessário em uma missão?
DM: Geralmente depende do tamanho. No início usávamos alguns táxis. Mais tarde, à medida que vieram mais pessoas, dividiu-se em grupos menores, com pessoas andando juntas - algumas dirigiam carros, amontoavam-se em carros ou caminhonetes e outras pessoas pegavam táxis. Quando houve a missão do haggis em Glasgow, na Escócia, alguns caras foram realmente espertos: em vez de passar horas pela cidade, tentando encontrar os melhores haggis para George, esses caras foram à cozinha do hotel e os chefs fizeram o haggis e eles se tornaram Os Cavaleiros do Haggis.
SI: Se tivéssemos participado da Los Angeles Con em 2006, que tipo de comida teríamos procurado?
DM: Devíamos ter quase uma centena de fãs no LA Con e George mandou todo mundo de lá para o Pink's. Eles se tornaram os Cavaleiros do Pìnk’s Dogs.
SI: Pink’s? Pink’s fica em Hollywood. A LA WorldCon ocorreu no Anaheim Convention Center. Considerando ida e volta, é uma corrida por cachorro-quente de cerca de 70 milhas. Todas as missões se baseiam na distância - ou às vezes exigem uma solução criativa para problemas?
DM: Sim. Uma das mais difíceis foi em evento não-WorldCon em Kansas City. George enviou um grupo de fãs para obter Pontas queimadas, as Pontas de Peito [brisket]. Era tarde da noite e essas pessoas percorreram Kansas City inteira. Os lugares estavam fechados. Eles tentaram ir às mercearias para comprar e cozinhar - mas isso não funcionou. Eles foram a restaurantes e estavam fechados. Eles foram até em clubes noturnos. Finalmente, eles encontraram um restaurante de churrasco que havia acabado de fechar e jogaram fora suas pontas queimadas. Eles trouxeram isso de volta e, jocosamente, George os armou como os Cavaleiros da Lixeira.
SI: Seu título é Sor Lodengarl Três Punhos, o Cavaleiro dos Cheesesteaks. Por que três punhos?
DM: Eu estava basicamente gerenciando a primeira festa do WorldCon. Como qualquer bom profissional de marketing dando uma festa, passei o tempo todo me certificando de que tudo estava limpo, que todos estavam se divertindo, me certificando de que havia bastante gelo, comida e bebidas. Basicamente, assim que todo mundo tinha saído e havia apenas membros do fã-clube, peguei três cervejas para que eu pudesse me juntar a todos e me sentei na frente de George.
SI: Alguém já foi desarmado cavaleiro?
DM: Acho que não, mas há uma tradição de subir na hierarquia.
SI: O que quer dizer?
DM: Se você participar de três WorldCons, receberá o status de lorde ou dama. Se você participar de cinco, você é um príncipe ou uma princesa. Você não é obrigado a fazer uma missão adicional - você conquista estes títulos ao participar de muitas WorldCons. Eu sou um príncipe. Há uma pessoa que esteve em sete WorldCons, um cara da Irlanda. George o fez Rei.
SI: Há os Cavaleiros da Carne Picante, Cavaleiros do Queijo Flamejante, Cavaleiros do Fungo Picante. Todas as missões estão relacionadas à comida?
DM: Nem todas as missões de cavaleiros foram baseadas em alimentos. A maioria é — do haggis em Glasgow ao poutine em Montreal. Há os Cavaleiros do Ye Olde Roast Beef em Boston. É realmente apenas uma tradição que adiciona algo especial à experiência fã- autor. Se George fosse outro tipo de pessoa, ele teria apenas trazido uma espada e armado aquele cara cavaleiro. Mas como George é um fã de longa data, pensou: “Ei, eu quero que você faça alguma coisa!”, E então todos entraram e disseram: “Parece uma ótima ideia. Todo mundo está com fome. É tarde da noite.” Quando vai a convenções, George sempre fala sobre a boa comida da região e coisas para se experimentar. É realmente parte de quem somos enquanto fãs.
SI: Então George e seus fãs são como um fórum Chowhound em forma humana com um elemento de ficção de fantasia?
DM: Sim.
SI: Os fãs fazem as comidas descritas no livro?
DM: Nós fazemos. Temos lanches e comida em festas. Mas mesmo em suas próprias reuniões, eles trazem coisas. A maioria dos alimentos de que falam são proteínas - há muito pato, carne de veado, cabra, carne de carneiro ou javali que geralmente é acompanhada de tábuas de pão...
SI:... por tábua você diz um pedaço de pão velho usado como uma espécie de prato comestível...
DM:... e truta e todos os tipos de peixe. Há casamentos nos livros e há toneladas de pratos descritos com o suco e o óleo do pato e o molho de cereja escorrendo pelo queixo. Há tantas boas descrições. No terceiro ano, George foi convidado de honra no Toronto WorldCon 2003. Para a nossa festa, fizemos uma grande escultura de gelo e o chef do hotel criou uma torta de lampreia, uma espécie de enguia, famosa no livro. Então pedimos ao chef que trouxesse uma grande torta de lampreia e a trouxesse para a suíte no meio da festa. Naquele ano, [os aspirantes a cavaleiros e damas] não foram em uma missão. Eles acabaram por se tornar os Cavaleiros da Torta de Lampreia.
SI: Qual é o sabor da torta de enguia?
DM: Era realmente muito bom. Uma torta de lampreia não é apenas enguias; também pode ser peixe branco assado quase como um empadão. A maioria das pessoas com travessas queriam ser cavaleiros. Isso foi tirado diretamente dos livros e prestava homenagem a George.
SI: Os aventureiros alguma vez se recusaram a provar a comida que traziam de volta?
DM: Você tem que provar, pois em geral se está fora de seu país ou cidade e é uma ótima maneira de conhecer parte da culinária, da cultura.
SI: Os aspirantes a cavaleiros e damas ficam chateados com missões de comida? Alguém nunca resmungou: “Cara, por que sou um cavaleiro dos Antigos Condimentos Apodrecidos? Por que eu não poderia ser um Cavaleiro da Pizza?"
DM: Em Denver, em 2008, tivemos os Cavaleiros da Mile-High Tomato Pie. Essa foi boa.
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2019.11.10 20:02 zyprime Depressão e minha vida e como esta sendo meu tratamento

Quero contar como esta sendo lidar com a depressão, abaixo segue meu relado. Lembre-se que cada pessoa é unica, e a depressão pode ter varias formas dependendo da pessoa e suas características, porem, alguns sintomas são bem parecidos, especialmente esses dois sintomas que vou me focar.
Lentamente caindo em um sono
Eu passei por varias coisas na vida, convivência com um irmão dependente químico e alcoólatra, um pai alcoólatra, até uma mãe com transtorno de personalidade borderline, incluindo também muitos abusos na infância e na adolescência, o bullying entra nesta também. Sempre me achei uma pessoa forte e resiliente por te conseguido lidar com muitas adversidades nesta vida. Até que em 2019 algo estranho começou a acontecer comigo (na verdade já estava acontecendo muito antes desta data), foi se desenvolvendo ao longo dos meses, aos poucos fui perdendo o interesse em atividades, como estudar, trabalhar, pesquisar, ver animes, séries, sair com amigos, assistir live, contribuir com a comunidade de programadores, e no nível mais simples como simplesmente olhar o céu durante a noite ou tomar um banho quente. Eu não conseguia sentir prazer nas atividades, inclusive as que eu mais gostava, eu só ficava deitado na cama olhando para o teto, tudo que eu fazia me deprimia de uma forma profunda, mas as vezes eu não ficava triste, mas ficava estático ou simplesmente parado na maior parte do tempo, parecia que eu não via as cores nas mesmas tonalidades, era como se fosse tudo mais fosco, o brilho também não chegava aos meus olhos, era um mundo bem fosco mesmo, junto com isto, os músculos da minha face passaram a assumir um aspecto triste e cansado de forma constante, eu sempre me esforçava para deixar um sorriso, mais parecia que este sorriso era apenas uma mascara e esta mascara doía muito sempre que eu a colocava.
Para o sintoma descrito acima seu nome é Anedonia, no qual consiste na incapacidade de sentir prazer em atividades normalmente agradáveis, claro que varia um pouco, ainda mais a intensidade deste sintoma, e ele é como se estivesse com sono, mais você esta acordado porém não tem forças e nem desejo para fazer o que gosta e o que não gosta também.
Uma "solução" definitiva
Outro sintoma que vou frisar e que também merece muita atenção, este surgiu antes da anedonia, começou a surgi em 2018, na verdade antes, mais ficou mais evidente em 2018. Você vive sua vida normal, até que você começa a ver que as coisas não vão mudar e que esta condenado a viver num sofrimento sem fim, a mente começa a mostrar uma saída definitiva, um fim para a dor e para a vida também, e os pensamentos de morte que antes eram apenas faíscas começam a ficar mais intensos e você desenvolve algo chamado de ideação suicida, no qual pode levar ao comportamento suicida e ao próprio suicídio de fato. A ideação suicida é um sintoma de gravidade, mais não deixa de ser um sintoma, infelizmente o sintoma é muito complexo e as vezes é imperceptível para a maioria das pessoas ao redor e o estigma que gira em torna da palavra "suicídio" é muito forte, no qual coloca as pessoas a julgamento por outros que acham que isso é frescura ou bobagem, que é apenas uma tentativa de chamar a atenção, devido a isso a gente se cala e começa a conviver com o sintoma, até que ele vai se intensificando junto com a depressão trazendo muito sofrimento emocional.
Demorou muito, mais finalmente busquei ajuda
Eu demorei para buscar ajuda médica, no ponto em que os sintomas estavam atrapalhando minha vida e me colocando em risco que decidir buscar ajuda profissional, claro que alguns amigos me aconselharam, mais a decisão final foi minha, entretanto, muitas pessoas não tem a capacidade de tomar este decisão. Como não tenho condições financeiras, tive que buscar pelo SUS, não tenho o que reclamar.
A psicoterapia é um ponto muito importante no tratamento, ela que vai trazer resultados a longo prazo e esta sendo muito bom, ter um tempo para mim, entender que as vezes é normal a gente achar que não tem saída, e que muitas vezes interpretamos o mundo usando a lente da depressão, você sabe que tem qualidades e defeitos, e sabe que tudo te define e que talvez a vida seja possível, uma vida normal, é como separar o joio do trigo, mais é com os pensamentos que estamos lidando.
Antidepressivos, infelizmente a muito preconceito em torno das pessoas que tomam remédio para tratar depressão ou ansiedade, talvez seja por ignorância mesmo, então decidimos esconder. No inicio eu relutei em aceitar a depressão, em aceitar o medicamento, eu mesmo tinha um pouco de preconceito. A medicação me ajudou muito diminuindo muitos sintomas, especialmente os pensamentos obsessivos e acelerados, a ansiedade também diminuiu, mas o resultado esta vindo em conjunto com a terapia. O ponto negativo é que os antidepressivos tem efeitos colaterais, e estes podem variar de pessoa para pessoa, organismos diferentes, no meu caso um efeito colateral que permanece ainda e que pode estar a melhorar nesses dois meses com a medicação, é a redução da libido e dificuldade em manter ereção, isso para os homens, nas mulheres podem haver outros, na bula descreve todos eles. Claro que esse efeito não é tão intenso, mais pode deixar um pouco broxa e sem desejo =P só que melhora um pouco, depende do organismo, vale muito comunicar seu médico no caso de ocorrer este efeito colateral. Em contrapartida os efeitos terapêuticos me ajudaram, não me deixaram feliz, até porque eu já sou feliz e sempre fui (talvez não da forma que esperava), mas aliviaram muitos sintomas ruins, os únicos que ainda persistem mais em uma intensidade menor agora são os dois sintomas que tratei no post, anedonia e ideação suicida, eu tenho notado uma melhora neles também, realmente, eu estava errado em achar que não havia solução, meu humor melhorou, e as coisas externas não me afetam de forma tão profunda como me afetava antigamente.
Este é um relato de quem tem depressão e esta buscando ajuda, a esperança é universal, saiba que persistência é sinônimo de esperança. Eu desejo que você consiga se manter nessa luta, não sei dizer se vamos vence-la, mais acredito que se podemos sim, juntos podemos aceitar e seguir em frente com a ansiedade e depressão fazendo parte de nossas vidas.
Obrigado <3
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2019.05.24 01:20 ricardoorganizacao Câncer de mama: dos primeiros sinais ao tratamento

que é Câncer de mama?
O câncer de mama é um tumor maligno que se desenvolve na mama como consequência de alterações genéticas em algum conjunto de células da mama, que passam a se dividir descontroladamente. Ocorre o crescimento anormal das células mamárias, tanto do ducto mamário quanto dos glóbulos mamários. Esse é o tipo de câncer que mais acomete as mulheres em todo o mundo, sendo 1,38 milhões de novos casos e 458 mil mortes pela doença por ano, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). A proporção em homens e mulheres é de 1:100 - ou seja, para cada 100 mulheres com câncer de mama, um homem terá a doença. No Brasil, o Ministério da Saúde estima 52.680 casos novos em um ano, com um risco estimado de 52 casos a cada 100 mil mulheres. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Mastologia, cerca de uma a cada 12 mulheres terão um tumor nas mamas até os 90 anos de idade. Segundo o INCA, é que represente, em 2016, 28,1% do total dos cânceres da mulher.
Tipos
Existem diversos tipos e subtipos de câncer de mama. No geral, o diagnóstico leva em conta alguns critérios: se o tumor é ou não invasivo, seu tipohistológico, avaliação imunoistoquímica e seu estadio (extensão):
Tumor invasivo ou não
Um câncer de mama não invasivo, também chamado de câncer in situ, é aquele que está contido em algum ponto da mama, sem se espalhar para outros órgãos - a membrana que reveste o tumor não se rompe, e as células cancerosas ficam concentradas dentro daquele nódulo. Já o tipo invasivo acontece quando essa membrana se rompe e as células cancerosas invadem outros pontos do organismo. Todo câncer in situ tem potencial para se transformar em invasor.
Avaliação Imunoistoquímica
Também chamada de IQH, a avaliação imunoistoquímica para o câncer de mama avalia se aquele tumor tem os chamados receptores hormonais. Aproximadamente 65 a 70% dos cânceres de mama tem esses receptores, que são uma espécie de ancoradouro para um determinado hormônio. Existem três tipos de receptores hormonais: o de estrógeno, o de progesterona e o de HER-2. Esses receptores fazem com que o determinado hormônio seja atraído para o tumor, se ligando ao receptor e fazendo com que essa célula maligna se divida, agravando a doença.
A progesterona e o estrógeno são hormônios que circulam normalmente por nosso organismo, que podem se ligar aos receptores hormonais do câncer de mama, quando houver. Já o HER-2 (sigla para receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano) é um gene que pode ser encontrado em todas as células do corpo humano, que tem como função ajudar a célula nos processos de divisão celular. O gene HER-2 faz com que a célula produza uma proteína chamada proteína HER-2, que fica na superfície das células. De tempos em tempos, a proteína HER-2 envia sinais para o núcleo da célula, avisando que chegou o momento da divisão celular. Na mama, cada célula possui duas cópias do gene HER-2, que contribuem para o funcionamento normal destas células. Porém, em algumas pacientes ocorre o aparecimento de um grande número de genes HER-2 no interior das células da mama. Com o aumento do número de genes HER-2 no núcleo, ficará também aumentado o número de receptores HER-2 na superfície das células.
Tipo histológico do câncer de mama
O tipo histológico é como se fosse o nome e o sobrenome do câncer. Os tipos histológicos se dividem em vários subtipos, de acordo com fatores como a presença ou ausência de receptores hormonais e extensão do tumor. Os tipos mais básicos de câncer de mama são:
· Carcinoma ducta in situ: é o tipo mais comum de câncer de mama não invasivo. Ele afeta os ductos da mama, que são os canais que conduzem leite. Ele não invade outros tecidos nem se espalha pela corrente sanguínea, a membrana que reveste o tumor não se rompe, e as células cancerosas ficam concentradas dentro daquele nódulo mas pode ser multifocal, ou seja, pode haver vários focos dessa neoplasia na mesma mama. Caracteriza-se pela presença de um ou mais receptores hormonais na superfície das células.Todo câncer de mama in situ tem potencial para se transformar em invasor.
· Carcinoma ductal invasivo: ele também acomete os ductos da mama, e se caracteriza por um tumor que pode invadir os tecidos que os circundam. O câncer do tipo ductal invasivo representa de 65 a 85% dos cânceres de mama invasivos. Esse carcinoma pode crescer localmente ou se espalhar para outros órgãos por meio de veias e vasos linfáticos. Caracteriza-se pela presença de um ou mais receptores hormonais na superfície das células.
· Carcinoma lobular in situ: ele se origina nas células dos lobos mamários e não tem a capacidade de invasão dos tecidos adjacentes. Frequentemente é multifocal. O carcinoma lobular in situ representa de 2 a 6% dos casos de câncer de mama.
· Carcinoma lobular invasivo: ele também nasce dos lobos mamários e é o segundo tipo mais comum. O carcinoma lobular invasivo pode invadir outros tecidos e crescer localmente ou se espalhar. Geralmente apresenta receptores de estrógeno e progesterona na superfície das células, mas raramente a proteína HER-2.Tem maior de afetar as duas mamas.
· Carcinoma inflamatório: raramente apresenta receptores hormonais, podendo ser chamado de triplo negativo. Ele é a forma mais agressiva de câncer de mama – e também a mais rara. O carcinoma inflamatório se apresenta como uma inflamação na mama e frequentemente tem uma grande extensão. Ele também começa nas glândulas que produzem leite. As chances dele se espalhar por outras partes do corpo e produzir metástase é grande.
· Doença de Paget: é um tipo de câncer de mama que acomete a aréola ou mamilos, podendo afetar os dois ao mesmo tempo. Ele representa de 0,5 a 4,3% de todos os casos de carcinoma mamário, sendo portando uma forma mais rara. Ele é caracterizado por alterações na pele do mamilo, como crostas e inflamações – no entanto, também pode ser assintomático. Existem duas teorias para explicar a origem da doença de Paget da mama: as células tumorais podem crescer nos ductos mamários e progredir em direção à epiderme do mamilo, ou então as células tumorais se desenvolvem já na porção terminal dos ductos, na junção com a epiderme.
Estadiamento do câncer de mama
O câncer de mama é dividido em quatro estadios ou estágios, conforme a extensão da doença, que vão do 0 ao 4:
· Estadio 0: as células cancerosas ainda estão contidas nos ductos, por isso o problema é quase sempre curável
· Estadio 1: tumor com menos de 2 cm, sem acometimento das glândulas linfáticas da axila
· Estadio 3: nódulo com mais de 5 cm que pode alcançar estruturas vizinhas, como músculo e pele, assim como as glândulas linfáticas. Mas ainda não há indício de que o câncer se espalhou pelo corpo
· Estadio 4: tumores de qualquer tamanho com metástases e, geralmente, há comprometimento das glândulas linfáticas. No Brasil cerca de 60 a 70% dos casos são diagnosticado em estadio 3 ou 4.
Fatores de risco
Os principais fatores de risco para o câncer de mama são:
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Histórico familiar
Os critérios para identificar o risco genético para a doença são:
· Dois ou mais parentes de primeiro grau com câncer de mama
· Um parente de primeiro grau e dois ou mais parentes de segundo ou terceiro grau com a doença
· Dois parentes de primeiro grau com esse tipo de câncer, sendo que um teve a doença antes de 45 anos
· Um parente de primeiro grau com câncer de mama bilateral
· Um parente de primeiro grau com a doença e um ou mais parentes com câncer de ovário
· Um parente de segundo ou terceiro grau com câncer de mama e dois ou mais com câncer de ovário
· Três ou mais parentes de segundo ou terceiro grau com a doença
· E dois parentes de segundo ou terceiro grau com câncer de mama e um ou mais com câncer de ovário.
Idade
As mulheres entre 40 e 69 anos são as principais vítimas. Isso porque a exposição ao hormônio estrógeno está no auge com a chegada dessa idade. A partir dos 50 anos, particularmente, os riscos entram em uma curva ascendente.
Menstruação precoce
A relação com a menstruação está no fato de que é no início desse período que o corpo da mulher passa a produzir quantidades maiores do hormônio estrógeno. Esse hormônio em quantidades alteradas facilita a proliferação desordenada de células mamárias, resultando em um tumor. Quanto mais intensa e duradoura é a ação do hormônio nas células mamárias, maior é a probabilidade de um tumor. Se a primeira menstruação ocorre por volta dos 9 ou 10 anos de idade, é porque os ovários intensificaram a produção do hormônio cedo e, assim, o organismo ficará exposto ao estrógeno por mais tempo no decorrer da vida.
Menopausa tardia
A lógica nesse caso é a mesma do caso acima - enquanto a menstruação não cessa, os ovários continuam a produzir o estrógeno, deixando as glândulas mamárias mais expostas ao crescimento celular desordenado.
Reposição hormonal
Muitas mulheres procuram a reposição hormonal para diminuir os sintomas da menopausa. Mas essa reposição - principalmente de esteroides, como estrógeno e progesterona - pode aumentar as chances. Na menopausa, os tecidos ficam ainda mais sensíveis à ação do estrógeno, já que os níveis desse hormônio estão baixos devido à ausência de sua produção pelo ovário. Como alternativa à reposição hormonal, é indicada a prática de exercícios físicos e uma dieta balanceada.
Colesterol alto
O colesterol é a gordura que serve de matéria prima para a fabricação do estrógeno. Dessa forma, mulheres que altos níveis de colesterol tendem a produzir esse hormônio em maior quantidade, aumentando o risco de câncer de mama.
Obesidade
O excesso de peso é um fator de risco para o câncer de mama principalmente após a menopausa. Isso porque a partir dessa idade o tecido gorduroso passa a atuar como uma nova fábrica de hormônios. Sob a ação de enzimas, a gordura armazenada nas mamas, por exemplo, é convertida em estrógeno. O alerta é mais sério para aquelas que apresentam um índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30. A redução de apenas 5% do peso já cortaria quase pela metade os riscos de desenvolver alguns dos principais tipos da doença. A constatação é de pesquisadores do Centro de Prevenção Fred Hutchinson (EUA), com base na avaliação de dados de 439 mulheres acima do peso entre 50 e 75 anos de idade.
Ausência de gravidez
Mulheres que nunca tiveram filhos têm mais chances devido a ausência de amamentação. Quando a mulher amamenta, ela estimula as glândulas mamárias e diminui a quantidade de hormônios, como o estrógeno, em sua corrente sanguínea.
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Lesões de risco
Já ter apresentado algum tipo de alteração na mama não relacionada ao câncer de mama também pode aumentar as chances do surgimento de tumores. Dessa forma, pequenos cistos ou calcificações encontrados na mama, ainda que benignos, devem ser acompanhados com atenção.
Tumor de mama anterior
Pacientes que já tiveram câncer de mama têm mais chances de apresentar outro tumor - nesse caso é chamado de câncer recidivo ou que sofreu uma recidiva.
Sintomas
Sintomas de Câncer de mama
Os sintomas do câncer de mama variam conforme o tamanho e estágio do tumor. A maioria dos tumores da mama, quando iniciais, não apresenta sintomas.
Caso o tumor já esteja perceptível ao toque do dedo, é sinal de que ele tem cerca de 1 cm³ - o que já é uma lesão muito grande. Por isso é importante fazer os exames preventivos (como a mamografia) na idade adequada, antes do aparecimento deste e de qualquer outro sintoma do câncer de mama.
Veja os outros sinais possíveis do câncer de mama:
· Vermelhidão na pele, inchaço ou calor
· Alterações no formato dos mamilos e das mamas, principalmente as alterações recentes, é possível até que uma mama fique diferente da outra
· Nódulos na axila
· Secreção escura saindo pelo mamilo
· Pele enrugada, como uma casca de laranja
· Em estágios avançados, a mama pode abrir uma ferida.
Diagnóstico e Exames
Diagnóstico de Câncer de mama
Além da mamografia, ressonância magnética, ecografia e outros exames de imagem que podem ser feitos para identificar uma alteração suspeita de câncer de mama, é necessário fazer uma biópsia do tecido coletado da mama. Nesse material da biópsia é que a equipe médica identifica se as células são tumorosas ou não. Caso seja feito o diagnóstico, os médicos irão fazer o estudo dos receptores hormonais para saber se aquele tumor expressa algum ou não, além de sua classificação histológica. O tratamento vai ser determinado pela presença ou ausência desses receptores na célula maligna, bem como o prognóstico do paciente.
Na consulta médica
Chegando ao consultório com a mamografia suspeita para câncer de mama, o médico fará perguntas sobre seu histórico familiar da doença, idade, data de início da menstruação, se você já está na menopausa e outras questões relacionadas a fatores de risco. Depois, fará a análise da mamografia e da biópsia a fim de encontrar o diagnóstico.
Caso você já tenha recebido o diagnóstico, é importante tirar todas as suas dúvidas com o médico e não deixar nada escapar. Confira algumas dicas para aproveitar ao máximo a consulta:
· Se não entender o médico, peça que repita com termos mais simples ou usando desenhos
· Leve um caderno para a consulta e anote os pontos mais importantes e para levar dúvidas anotadas para as consultas
· Caso queira informações adicionais sobre seu caso, peça a seu médico que indique livros, sites ou artigos
· Prefira levar um acompanhante para ajudar na assimilação de novas informações.
Segue uma lista de perguntas importantes para fazer na consulta:
· Onde está a doença nesse momento e qual a sua extensão?
· Meu câncer é receptor de hormônio positivo ou negativo?
· Meu câncer é HER-2 positivo ou negativo?
· Quais são as opções de tratamento e como elas funcionam?
· Quais são os efeitos colaterais mais e menos comuns do tratamento?
· Como esse tratamento me beneficiará?
· Posso evitar os desconfortos do tratamento? Como?
· Qual a previsão de duração do tratamento?
· Precisarei visitar o médico e realizar exames com que frequência durante o tratamento? Quais exames serão necessários?
· Precisarei ficar internada?
· Precisarei seguir dieta específica?
· Posso fazer a reconstrução mamária? Como ficará minha mama?
· Posso apresentar linfedema? Quais são as chances?
· Meu câncer voltará? Quais são as chances?
· Para quem devo ligar se tiver dúvidas e problemas relativos ao tratamento?
· Quando terminar, quais serão os próximos passos?
· Eu tenho outras doenças concomitantes que afetam a minha capacidade de tolerar tratamentos?
· Há alguma recomendação especial para esse momento?
Tratamento e Cuidados
Tratamento de Câncer de mama
Existem diversos tratamentos para o câncer de mama, que podem ser combinados ou não. Todo câncer deverá ser retirado com uma cirurgia, que pode retirar parte da mama ou ela toda – entretanto, em alguns casos pode ser que a cirurgia seja combinada com outros tratamentos.
O que vai determinar a escolha do tratamento é a presença ou ausência de receptores hormonais, o estadiamento do tumor, se já apresenta o diagnóstico com metástase ou não.
Outro fator determinante para o tratamento é a paciente e qual o seu estado de saúde e época da vida. Tratar o quadro em uma mulher de 45 anos, saudável, é completamente diferente de fazer o tratamento em uma mulher com 80 anos e doenças relacionadas – ainda que o tipo e extensão do câncer sejam exatamente iguais. Nesse caso, deve ser levado em conta o impacto dos tratamentos e se eles irão interferir na qualidade de vida da paciente. Os tratamentos são divididos entre terapia local e terapia sistêmica:
Terapia local de câncer de mama
O câncer de mama tratado localmente será submetido a uma cirurgia parcial ou total seguida de radioterapia:
· Cirurgia: é a modalidade de tratamento mais antiga. Quando o tumor se encontra em estágio inicial, a retirada é mais fácil e com menor comprometimento da mama
· Radioterapia: terapia que usa radiação ionizante no local do tumor. É muito utilizada para tumores que ainda não se espalharam e não metástases, para os quais não é necessária a retirada de grande parte da mama. A radioterapia também pode ser usada nos casos em que o câncer de mama não pode ser retirado completamente com a cirurgia, ou quando se quer diminuir o risco de o tumor voltar a crescer. Dura aproximadamente um mês.
Terapia sistêmica do câncer de mama
O tratamento sistêmico se faz com um conjunto que medicamentos que serão infundidos por via oral ou diretamente na corrente sanguínea. Em ambos os casos, o tratamento não é feito de forma local – ou seja, o medicamento irá circular por todo o organismo, inclusive onde o tumor se encontra. Há três modalidade de terapia sistêmica:
· Quimioterapia: tratamento que utiliza medicamentos orais ou intravenosos, com o objetivo de destruir, controlar ou inibir o crescimento das células doentes. A quimio pode ser feita antes ou após a cirurgia, e o período de tratamento varia conforme o câncer de mama e a paciente
· Hormonioterapia: tem como objetivo impedir a ação dos hormônios que fazem as células cancerígenas crescerem. A hormonioterapia, portanto, só poderá ser utilizada em pacientes que apresentam pelo menos um receptor hormonal em seu tumor. Essa terapia no geral é feita via oral, e as drogas agem bloqueando ou suprimindo os efeitos do hormônio sobre o órgão afetado
· Imunoterapia: também conhecido como terapia anti HER-2, essa modalidade é constituída de drogas que bloqueiam alvos específicos de determinadas proteínas ou mecanismo de divisão celular presente apenas nas células tumorais ou presentes preferencialmente nas células tumorais. São medicamentos ministrados geralmente via oral. Quando o tumor expressa a proteína HER-2 em grande quantidade, por exemplo, são utilizadas drogas que irão destruir essas células especificamente. Existem outras proteínas ou processos celular que podem se acentuar no tumor e intensificar seu crescimento, e as drogas da terapia alvo irão agir nesses pontos específicos.
Caso o tumor tenha grande extensão, pode ser que o médico recomende uma terapia sistêmica inicialmente, para diminuir o tamanho do câncer de mama e assim fazer a cirurgia parcial. Se o câncer apresentar metástases, a terapia sistêmica também é indicada, já que as drogas agem no corpo inteiro, encontrando focos do tumor e eliminando. A escolha do tratamento tem que levar em conta a curabilidade da doença e a tolerância à toxicidade do tratamento (algumas mulheres não podem se expor a tratamentos muito severos durante um longo período). Pacientes que sofreram metástases deverão se submeter ao algum tratamento sistêmico para o resto da vida, além do acompanhamento clínico.
Complicações possíveis
Entre as complicações está a recidiva, que é a volta de um tumor já tratado. A recidiva do câncer de mama ocorre nos dois ou três primeiros anos após a retirada do tumor, por isso é necessário fazer um acompanhamento próximo nesse período, com mamografias regulares em intervalos de seis meses ou anualmente mais análise clínica do paciente. O tumor também pode invadir outros tecidos e se espalhar pela circulação sanguínea ou linfática, atingindo outros órgãos como fígado e ossos - causando as chamadas metástases. Se o câncer for metastático, o tratamento deve ser sistêmico e acompanhado também individualmente.
Além disso, há os efeitos colaterais das terapias. Após a cirurgia, é necessário acompanhamento com médico e fisioterapeuta para evitar o rompimento dos pontos e necrose de tecidos - também é importante manter a higienização do local para evitar infecções. A cirurgia também envolve a modificação e pode causar uma série de alterações psicológicas na paciente, além das físicas.
A hormonioterapia pode piorar os sintomas da menopausa, favorecer a osteoporose, aumentar o risco de trombose e coágulos nas pernas - entretanto, esses efeitos colaterais são raros e as pacientes no geral tem uma alta tolerância ao tratamento.
Durante a quimioterapia a mulher pode sofrer infecções bucais, queda de cabelo, diarreia, náuseas e baixa imunidade temporária. Algumas quimioterapias também pode afetar a saúde cardiovascular - por isso é importante o acompanhamento com cardiologista. O sistema reprodutor também pode ser afetado, por isso, se você estiver em idade reprodutiva e pretende ter filhos, discuta com seu médico e parceiro(a) a possibilidade de se fazer o congelamento de óvulos. A queda dos cabelos é efeito mais comum da quimioterapia e não é controlável - isso porque o tratamento irá matar tudo aquilo que está crescendo. Dessa forma, além da queda de cabelo, pode ser que você perceba as unhas mais fracas também.
A terapia anti HER-2 tem menos efeitos colaterais, mas pode induzir uma toxicidade no coração - por isso, muita atenção com o cardiologista se optar por esse tratamento. Os anticorpos monoclonais, ligando-se às células cancerígenas e destruindo-as especificamente, apresentam geralmente menor grau de toxicidade que os quimioterápios convencionais. Ainda sim, pode gerar efeitos como falta de ar, sensação de calor, queda da pressão arterial e rubor. Notifique imediatamente a equipe que te atende ao sinal desses sintomas. Normalmente, esses efeitos diminuem nas administrações posteriores. Já a radioterapia pode causar cansaço e queimaduras leves na pele que voltam ao normal com o fim da terapia.
Convivendo (prognóstico)
Câncer de mama tem cura?
A maior chance de cura é por meio do diagnóstico precoce. Um tumor diagnosticado no estadio 0 ou 1 chega a ter mais 90% de chance de cura. Já um câncer de mama no estadio 3 ou 4 tem de 30 a 40% de chance de cura total. Mas isso não é motivo para desistir ou achar que o seu caso não tem cura – com o tratamento adequado e força de vontade, todo o obstáculo é transpassado. Mesmo cânceres em estadios mais avançados podem responder bem ao tratamento, podendo ser operados e retirados completamente. Por isso é importante conversar com seu médico e sempre buscar novas formas de lidar com a doença.
Convivendo/ Prognóstico
O prognóstico do câncer de mama depende de todas as características do tumor e paciente, como também da disponibilidade das drogas adequadas. No Brasil ainda não está disponível a terapia anti HER2 para doença metastática, por exemplo. Além disso, 40% das mulheres com câncer no geral que precisam de radioterapia não recebem o tratamento porque não tem equipamentos suficientes no país para suprir a demanda. Esse tipo de complicação pode piorar o prognóstico de uma paciente, que fica dependente de uma fila de espera ou então precisa se inscrever em programas internacionais. Existem modelos matemáticos que ajudam a estimar o risco de recidiva nos próximos dez anos – mas seus resultados não são 100% corretos ou perfeitos. Existem métodos mais modernos que avaliam o tumor da paciente em sua composição genética, individualmente. Com base na avaliação dos genes do tumor da paciente faz-se um prognóstico individualizado e o benefício que qualquer tratamento vai trazer para a cura do câncer de mama. Entretanto, esses testes são mais sofisticados e não precisam ser enviados para fora do país para avaliação.
O tratamento também envolve uma serie de cuidados e práticas para minimizar os efeitos das terapias:
Como minimizar os efeitos adversos da quimioterapia?
· Náuseas e vômitos: consuma alimentos de fácil digestão e converse com seu oncologista sobre a necessidade da utilização de antieméticos.
· Planeje a alimentação: algumas pessoas sentem-se bem comendo antes da quimioterapia e outras, não – nesse caso, o hábito varia conforme a necessidade da paciente com câncer de mama. Entretanto, deve-se sempre aguardar pelo menos uma hora após a sessão para consumir qualquer alimento ou bebida.
· Coma devagar: consuma pequenas refeições, cinco ou seis vezes por dia, em vez de três grandes refeições, evitando ingerir líquidos enquanto come. Isso evite enjoos e vômitos.
· Prefira alimentos frescos e evite consumi-los muito quentes
· Evite alimentos e bebidas fortes, como café, peixe, cebola e alho. Eles também favorecem os vômitos.
Cuidados durante a radioterapia
O radioterapeuta e a equipe de enfermagem debem orientá-la sobre os cuidados específicos que deverão ser adotados durante o tratamento de radioterapia. Esses cuidados variam muito de acordo com a região a ser irradiada.
· Pele: lave a pele irradiada com sabão suave e água morna. Tente não coçar nem esfregar a área.
· Pomada: aplique pomadas ou cremes sobre a pele somende com aprovação médica.
· Prefira roupas folgadas e confortáveis e se possível cubra a região irradiada com roupas claras.
Mais do que viver, a paciente pode viver bem, cuidando de si própria com carinho e atenção. Para ajudar as pacientes nesse desafio, é cada vez mais comum a abordagem multidisciplinar para o câncer de mama, com apoio de dentistas, nutricionistas, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, preparadores físicos e etc.
Fisioterapia para câncer de mama
Ela promove a independência funcional da paciente, permitindo que realize as atividades que deseja sozinha e sem inconveniências. Proporciona alívio da dor e reduz a necessidade do uso de analgésicos. Geralmente o tratamento é indicado após a cirurgia.
Nutrição
O acompanhamento nutricional ajuda a prevenir a perda de peso e a desnutrição durante o tratamento. Além disso, ele ajuda a paciente com câncer de mama a seguir as restrições dietéticas corretas para evitar possíveis efeitos colaterais do tratamento.
Exercícios físicos e câncer de mama
Não importante a atividade - o que importa é praticar. A atividade física ajuda a "mandar" a fadiga embora, aumenta a energia, a disposição e a autoestima, além de proporcionar convívio social.
· Depois da cirurgia: converse com seu médico sobre o retorno às atividades físicas. Isso varia de acordo com o tempo de recuperação esperado para cada procedimento e estado paciente.
· Algumas pacientes podem apresentar queda de imunidade durante o tratamento, o que pode ocasionar infecções oportunistas. Por isso, não se recomendam atividades com a natação – já o contato com a água da piscina pode favorecer infecções.
· Caso a ideia seja frequentar uma academia de ginástica, opte pela atividade supervisionada por um profissional de educação física. Relate seu caso, para que ele indique a série de exercícios mais adequada.
Sexualidade e sensualidade
Durante o tratamento do câncer de mama, diversas situações como diminuição da libido, alterações hormonais e incômodos emocionais podem influenciar diretamente no seu comportamento sexual. É importante que entenda que esses transtornos são causados por situações físicas que você está enfrentando e não tem a ver o que você é em essência. Tente resgatar nesse período a sensualidade que há em você – mas tudo em seu tempo.
· Fale com seu parceiro ou parceira: converse sobre a diminuição da libido para que a pessoa não se sinta rejeitada e confusa com seu possível desinteresse sexual. A comunicação aberta poderá ajudar a buscar maneiras criativas de despertas a sua libido.
· Fale com seu oncologista: seu médico pode prescrever medicamentos para combater os efeitos colaterais do tratamento, motivos que levam ao desinteresse sexual.
· Fale com um psicólogo: o profissional pode ajudar identificando e tratando os obstáculos emocionais que colaboram com o desinteresse sexual.
Cuidados com a autoestima
A queda de cabelos e a mastectomia são os pontos que mais podem afetar a autoestima da paciente. Tente não se render a esses sentimentos e procure saídas para esses incômodos, que são pequenos perto da sua qualidade de vida e da luta que você está travando. Você pode guardar os fios naturais para aplicar em rabo de cavalo quando cabelos voltarem a crescer, ou então comprar perucas e usar lenços coloridos, refletindo sua personalidade. Busque outras atividades que façam você se sentir bem, como cursos de uma área que você se interesse. Tudo vale para reconquistar a autoconfiança ou então não deixar que ela se vá.
Administrando sentimentos
O câncer de mama pode gerar uma série de sentimentos, diversos altos e baixos. Isso tudo é normal – o ser humano é cheio de emoções e a doença pode maximizar esse aspecto. Entenda que alguns dias serão melhores que outras, mas não permita que o mais estar se instale. O importante é que você não se desespere em meio aos sentimentos que experimenta. Se você perceber algum sinal de depressão, como tristeza profunda, falta de sono e apetite, insegurança e desânimo, converse com seu oncologista sobre o assunto. Ele poderá recomendar uma visita ao psicólogo.
Impacto do câncer de mama na minha vida
· Casa: se você ainda não divide a tarefas com seu parceiro (a) e filhos, essa é a hora para determinar novas funções. Durante o tratamento pode ser que você se sinta indisposta, e todo o apoio é importante nesse sentido.
· Trabalho: se você se sentir disposta e com vontade de trabalhar, vá em frente - isso ajudará a manter o convívio social e atrelará compromissos a sai vida que não estão relacionados com o tumor. Porém, em alguns momentos, você poderá se sentir debilitada e pode ser que opte por deixar o trabalho.
· Vida financeira: seu orçamento pode ficar abalado caso você precise parar de trabalhar, mais as despesas do tratamento. Saiba que é possível requisitar auxílio-doença e não se envergonhe se precisar pedir ajuda a um parente ou amigo mais próximo. Rever os gastos durante esse período também é essencial.
Conversando com seus filhos
· A pessoa mais indicada para contar é você. Fale o mais rápido possível, para não criar um clima de omissão. Além disso, evite omitir a palavra câncer ou tratar o câncer de mama como um tabu. Isso somente criará medo em torno da doença
· Você não precisa contar detalhes da doença, mas esteja preparada para questionamentos
· Explique os efeitos colaterais da doença do tratamento, que é normal você ficar mais triste em alguns momentos, que é normal a queda de cabelos e outros efeitos. Isso evite choques.
· Seus filhos poderão apresentar mudanças de comportamento e desempenho na escola. É importante que o educador saiba lidar com isso e tenha liberdade de comentar com você se algo diferente ocorrer.
· Se sentir a necessidade, busque apoio de um psicólogo familiar.
Conversando com seu marido ou companheiro
O seu companheiro ou companheira é a pessoa que, assim como os filhos, estará mais próxima de você nesse momento. Conversem francamente sobre as demandas que surgirão e peça ajuda para enfrentar a doença.
Reconstrução de mama
Passível de ser realizada em quase todas as pacientes porém há dificuldade de acesso nas pacientes do SUS principalmente por fatores econômicos. Para quem não tem acesso, é recomendado o uso de prótese externa afim de equilibrar um pouco do peso sobre a coluna e principalmente para alívio estético e maior liberdade para vestimenta da paciente.
Prevenção
Prevenção
A prevenção do câncer de mama pode ser dividida em primária e secundária: a primeira envolve a adoção de hábitos saudáveis, e a segunda diz respeito a realização de exames de rastreamento, a fim de fazer o diagnóstico precoce:
Exercícios
Um estudo publicado no Journal of the National Cancer Institute apontou que adolescentes praticantes de exercícios físicos intensos diminuem as chances de sofrer de câncer de mama na fase adulta em até 23%. Nessa análise, a prática de atividade física deveria começar por volta dos 12 anos e durar por pelo menos dez anos para que a proteção contra a doença seja notada. Os exercícios são capazes de reduzir os níveis de estrógeno, hormônio relacionado ao risco de câncer. A prática de exercícios também diminui o estresse e ajuda no controle do peso, fatores que também influenciam no desenvolvimento do tumor. É importante na prevenção do câncer e na prevenção da recidiva.
Amamentação
Mulheres que amamentam os seus filhos por, pelo menos, seis meses, têm 5% menos chances de desenvolver a doença. Quando a mulher amamenta, ela estimula as glândulas mamárias e diminui a quantidade de hormônios, como o estrógeno, da sua corrente sanguínea.
Dieta balanceada
Manter uma dieta adequada ajuda no controle do peso, na prevenção de doenças crônicas e melhora a saúde como um todo. Além disso, um corpo saudável trabalha melhor, prevenindo o surgimento de tumores. Mulheres que consomem vegetais com frequência têm até 45% menos chances de desenvolver câncer de mama, de acordo com um estudo realizado pela Boston University. Alimentos como brócolis, mostarda, couve e hortaliças verdes são ricos em glucosinolatos, que são aminoácidos com um papel importante na prevenção e tratamento.
Estresse
Mulheres que vivem uma rotina muito agitada e estressante têm quase o dobro de chances de desenvolver câncer de mama, quando relacionada a outros fatores de risco. Técnicas de respiração, meditação e relaxamento, praticadas em Tai Chi e ioga, ajudam a controlar o estresse e a ansiedade.
Álcool
O consumo de apenas 14 gramas de álcool por dia pode aumentar as chances de câncer de mama em 30%. O mecanismo de ação pelo qual o consumo de álcool aumenta esse risco ainda permanece desconhecido, mas sabemos que ele influencia as vias de sinalização do estrógeno.
Controle do peso
Ao atingir a menopausa, mulheres com sobrepeso ou obesidade correm mais risco de desenvolver o tumor. E mais: o excesso de peso ainda aumenta as chances do câncer ser mais agressivo.
Faça a mamografia
A maioria das mulheres devem começar a fazer mamografias anualmente após os 50 anos, mas, para quem tem histórico familiar de câncer de mama, o exame deve começar 10 antes do caso mais precoce na família. Assim se um parente próximo teve esse tipo de câncer aos 40, é preciso começar a fazer mamografias anualmente a partir dos 30 anos. Fazer a mamografia anualmente em idade adequada pode reduzir a morte por câncer de mama em até 30%, segundo um estudo publicado na revista Radiology.
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Seus direitos
· Reabilitação profissional: o serviço da Previdência Social visa readaptar ou reeducar o profissional para o retorno ao trabalho, com o fornecimento de materiais necessários à reabilitação (tais como taxas de inscrição em serviços profissionalizantes e auxílios para transporte e alimentação). Todos os segurados da Previdência têm direito à reabilitação.
· Auxílio-doença: você terá direito ao benefício mensal desde que fique por mais de 15 dias com incapacidade para o trabalho atestada por perícia médica da Previdência Social e que tenha contribuído com o INSS por no mínimo 12 meses (embora haja exceções). Compareça pessoalmente ou por intermédio de procurador a uma agência da Previdência Social, preencha o requerimento, apresente a documentação exigida e agende a perícia. O auxílio-doença deixará de ser pago quando você recuperar a capacidade para o trabalho, ou caso o direito se reverta em aposentadoria por invalidez.
· Aposentadoria por invalidez: você terá direito ao benefício se for segurada da Previdência Social e a perícia constatar que está incapacitada permanentemente par ao trabalho. Via de regra, é preciso ter contribuído com o INSS por, no mínimo, 12 meses para obter o benefício. Compareça pessoalmente ou por procurador a uma agência da Previdência Social, preencha o requerimento, apresente a documentação exigida e agende a perícia. Você ainda pode requerer o auxílio-doença pela internet, no site da Previdência Social ou pelo telefone gratuito 135.
· Isenção de imposto de renda: você tem direito à isenção do imposto de renda sobre os valores recebido a título de aposentadoria, pensão ou reforma, inclusive as complementações recebidas de entidades privadas e pensões alimentícias, mesmo que a doença tenha sido adquirida após a concessão da aposentadoria, pensão ou reforma. Procure o órgão responsável pelo pagamento da aposentadoria, pensão ou reforma e solicite a isenção do imposto de renda que incide sobre esses rendimentos.
· IPTU: não existe uma legislação nacional que garanta a isenção do IPTU para pessoas com determinadas patologias, como o câncer de mama, mas, como se trata de um imposto municipal, algumas cidades já garantes a isenção. Informe-se na Secretaria de Finanças do seu município.
· Cirurgia de reconstrução mamária: você tem direito a realizar a cirurgia reparadora gratuitamente, tanto pelo SUS como pelo plano de saúde. Se estiver em tratamento no SUS, exija o agendamento da cirurgia no próprio local e, se não estiver, dirija-se a uma Unidade Básica de Saúde e solicite seu encaminhamento para uma unidade especializada em reconstrução mamária. Pelo Plano de Saúde, consulte um cirurgião credenciado.
Compartilhando a experiência
A solidão pode ser um sentimento que assola a paciente com câncer de mama. Mas lembre-se que você não está sozinha. Peça ajuda, compartilhe sua experiência, procure centros e locais que façam terapia em grupo. Dissemine seu conhecimento e sua luta contra o câncer de mama e ajude a quebrar o estigma que existe em torno da doença. Incentive as mulheres a fazer a mamografia, converse com suas amigas e colegas sobre a importância do exame. Relate sua experiência para entidades de apoio ao paciente ou crie um blog para dividir suas questões com os leitores.
Perguntas frequentes
Qual a porcentagem de cânceres de mama que acontecem por conta da mutação genética?
A população geral tem cerca de 10 a 12% de riscos de desenvolver a doença. De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia, a presença da mutação entre os casos de câncer de mama gira em torno de 5 a 10%, sendo que 5% de todos os cânceres de mama são de mulheres com a mutação genética BRCA. Por isso, a maneira mais segura de tratar e prevenir é visitar o seu mastologista, quando indicado, e seguir suas orientações.
Uma pessoa que tem risco comprovado para câncer de mama pode fazer uma mastectomia preventiva?
Uma mulher com alto risco pode, sim, optar por fazer a mastectomia preventiva. A mastectomia preventiva mamária consiste na retirada da região interna da mama - ou seja, da glândula mamária juntamente com os ductos mamários - que são os locais onde pode acontecer a formação de um tumor. Com a retirada do interior da mama, os riscos de câncer reduzem em até 90%. As chances do câncer ainda existem porque 10% do tecido mamário é preservado para a nutrir a pele, auréola e mamilo. Na cirurgia sempre serão removidas as duas mamas, daí a denominação de dupla mastectomia preventiva.
Existem também tratamentos que usam os chamados anti-hormônios ou moduladores hormonais, que inibem a produção de estrógeno e impedem as células da mama de se multiplicarem. Esse tratamento, no entanto, é recomendado apenas para cânceres de mama hormonais - ou seja, que acontecem ou podem acontecer em decorrência de alterações hormonais - não sendo indicado para pessoas que tem o risco genético, por exemplo.
Para pacientes com risco genético, uma alternativa é redobrar a atenção e acompanhamento da mamas, partindo para exames de rastreamento, como ultrassom de mamas e mamografias, em intervalos de tempos mais curtos, a cada seis meses, por exemplo, dependendo do que o seu médico considerar mais seguro. O objetivo nesse caso é identificar o câncer numa fase muito precoce e iniciar o tratamento adequado a partir desse diagnóstico.
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2019.02.19 15:24 Luizbep Os Próximos 3 Meses

Os Próximos 3 Meses
Ei pessoal!

Estamos à espreita em toda a Internet para ver o que vocês têm a dizer. Lembre-se, isso não é uma novidade para nós - fazemos isso o tempo todo. Nós vemos tudo. Uma das coisas sobre as quais você mais tem perguntado é algum tipo de roteiro. O da nossa página da Steam Store é atualizado regularmente, mas não tem datas reais. Nós entendemos, você quer saber o que você pode esperar e quando você pode esperar, mas nós hesitamos em compartilhar qualquer tipo de cronograma porque nunca deu certo para ninguém, então nosso raciocínio foi por que aprender com nossos próprios erros, se podemos aprender com os erros dos outros.

No entanto, desde o início deste nosso projeto de amor, orgulhamo-nos da total transparência com a nossa comunidade, bem como sempre fazendo parte dela e sendo facilmente alcançável por qualquer um que queira dizer oi, fazer uma pergunta ou até mesmo dizer que nós somos um saco. Isso sempre foi muito importante para nós e não vai mudar. Então, com isso em mente, decidi experimentar algo. Conversei com todas as pessoas da empresa e perguntei o que elas farão nos próximos três meses. Ok, nem todo mundo, eu não falei com o Darian porque ele estava fora do escritório na hora de escrever isso, mas eu falei com a gangue de arte dele e eles me deram a sujeira.

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Nós redecoramos seu espaço de trabalho um pouco enquanto ele estava fora. Ele desperta alegria agora.

Mais um aviso antes de começarmos: todas estas coisas devem estar no jogo nos próximos 3 meses. Calculamos a quantidade de trabalho que podemos fazer e vamos nos esforçar ao máximo para cumpri-lo. Isso é algo em que geralmente somos bons. No entanto, qualquer desenvolvedor em qualquer lugar pode confirmar que você nunca sabe. A vida acontece. As pessoas ficam doentes. Pode haver uma invasão alienígena e todos nós podemos morrer. Espero que isso não aconteça, mas se acontecer, não diga que não avisamos.

Vamos começar com algumas notícias do escritório! Recentemente, recebemos nossa primeira equipe de controle de qualidade! Nós temos uma liderança de QA na vida real e 3 novos testadores, então agora não somos mais apenas os testes! Nós temos pessoas para isso! Yay!

Sobre esses veículos! Você pode ter visto o novo modelo de carro em nosso último post de WiP*. O que você não sabia é que não se trata apenas do modelo. Nosso principal programador, Dini, está trabalhando na nova e melhorada física do carro. Neste momento, a mecânica do veículo no jogo ainda é muito básica, mas vamos tentar empurrar mais para o realismo. Por exemplo, o centro de gravidade do carro mudará de acordo com o número de pessoas no carro. Ele também está reformulando o sistema de danos, o que significa que o carro vai reagir de maneira diferente, dependendo se você atirou no pneu ou no motor. Não se preocupe ainda, porque você também poderá repará-lo. Você também terá a habilidade de dirigir e os níveis de habilidade, que obviamente se encaixarão em todo o realismo e na maneira como você dirigirá o carro. Você poderá reivindicar um carro, tranca-lo, destranca-lo e fazer ligação direta. Você também poderá reabastecer. Dini diz que você também poderá atirar no carro, mas não nos próximos 3 meses. A razão para isso é que é um processo longo e excruciante que levará muito tempo para ser implementado, ele tem o suficiente em seu prato e nada disso é relacionado à salada.

https://preview.redd.it/46ylsk0eajh21.jpg?width=1916&format=pjpg&auto=webp&s=8a6cf3bcce99773c2b3a294fb8b9d862ae33ed3d
Laranja de sangue, tão pretensioso.

Em seguida é o inventário. Sim, é meio desajeitado e não intuitivo - nós sabemos, temos olhos. O plano sempre foi mudá-lo eventualmente e chegou a hora. Nosso programador Jesus e a artista Ivona estão trabalhando duro em uma revisão completa do inventário e da interface do usuário. Eu não tenho certeza de como será a versão final porque eles têm sido bem secretos sobre isso até agora, mas eu consegui descobrir que você será capaz de empilhar itens e rotacioná-los. Jesus disse que pode ser importante mencionar que ele está reformulando a função de vizinhança e que carros e baús estão finalmente obtendo um espaço de inventário adequado. Ele também disse que eu preciso explicar que não são apenas as atualizações visuais e que muito da revisão será do lado da programação, mas então foi apenas um monte de conversa nerd, então eu apenas fingi ouvir e entender. Peço desculpas a qualquer nerd que ofendi com isso e prometo escrever um post sobre isso assim que eles tiverem mais coisas para mostrar.

https://preview.redd.it/ihfnoqlkajh21.jpg?width=1920&format=pjpg&auto=webp&s=fcd882a2253ba7be3ed12b32cc28dbf7ca939998
O inventário pode ou não acabar ficando assim. Nós também não sabemos. Ivona diz que é uma surpresa.

Graças a Patrik, em breve você poderá criar uma base também. A primeira versão será compreensivelmente muito básica - você poderá construir uma casa usando uma planta, da mesma forma que constrói um abrigo. Nossa equipe de arte já está trabalhando nos modelos, mas essa não é a única coisa em que eles estão trabalhando. Você viu algumas das novidades em nossa última postagem no WiP: estamos adicionando uma pedreira, uma mina, um hospital para doentes mentais, um antigo castelo, uma mina de sal, um observatório e uma cidade totalmente nova. Ativos urbanos, baby!

https://preview.redd.it/cpriha0oajh21.png?width=1600&format=png&auto=webp&s=5fd6a5eab846cca31c3a4e24f7d8bec0b38c22a5
Malha quente.

Além da habilidade de dirigir, estamos reformulando a habilidade culinária a partir do zero, o que também exige um bom retrabalho do metabolismo. Esse é o trabalho de Bruno e ele já está nisso. Ele também é responsável pela habilidade de demolição, que não inclui apenas bombas - você também terá todos os tipos de armadilhas. John está trabalhando na habilidade de arco e flecha. Ele está indo all-in, então você também terá diferentes tipos de arcos com diferentes tipos de flechas - algumas delas você não poderá usar se sua habilidade for muito baixa ou se você for fraco demais. Você até conseguirá um silenciador de proa - achei que ele estava mexendo comigo também, mas aparentemente eles são reais. Quem sabia. Com a ajuda de nossos animadores, John também está reformulando as animações de primeira pessoa, então, se tudo correr conforme o planejado, a coisa toda parecerá muito mais realista. Também estamos adicionando suporte para RPGs e nosso primeiro revólver!

Nosso novo programador Goran está preparando as primeiras missões e objetivos da missão! Eu não posso te dizer nenhum detalhe ainda, mas você não terá que esperar muito para conferir. Você também receberá um tutorial real, caso não consiga descobrir o jogo sozinho. Fraco.

https://preview.redd.it/uvsewgdrajh21.png?width=884&format=png&auto=webp&s=10b9c2f47b6ab1c8f2488d94d2c9db5962d2d5d0
Logo você poderá fazer seus inimigos tremerem de medo.

Os próximos 3 meses também verão a introdução de conquistas! Estes estão sendo preparados por Dobrila no lado da programação e Ivona no lado da arte. A cópia está sendo preparada pela equipe meme, então espere algumas coisas engraçadas. Ou cringey, ainda não decidimos.

Por favor, não grite sobre este próximo, mas estamos adiando as personagens femininas. Ok, nós não estamos literalmente adiando-as porque nós nunca as anunciamos oficialmente, mas o plano original era liberá-las para o dia ddos namorados, o que obviamente não aconteceu. A razão para isso é que as mulheres são muito difíceis de animar. SÓ BRINCANDO! A razão é que começamos a trabalhar nelas com toda a intenção de terminá-las no prazo, mas ao longo do caminho percebemos que há muito mais na coisa toda e não podemos simplesmente colocar uma modelo feminina na mecânica masculina e pronto. Lembre-se de como temos esse elaborado sistema de metabolismo e como eu já mencionei que Bruno está retrabalhando a habilidade de cozinhar que também está ligada ao metabolismo? Sim isso. Cada peça de roupa também precisa ser ajustada para o corpo feminino. Esse vai ser o trabalho de Danijel, que Deus o ajude. Isso não significa que paramos de trabalhar nas personagens femininas - ainda estamos, mas realmente não queremos isso, então vamos adiá-las um pouco. Eu disse um pouco, então pare de gritar, o tempo é uma construção social.

https://preview.redd.it/qs7pef7vajh21.png?width=1224&format=png&auto=webp&s=a51997bef849e8fdb2e6579d70bb7aea98d16e7c

Agora que a pior parte está fora do caminho, vamos voltar ao que mais estamos adicionando nos próximos 3 meses. Nós vamos adicionar algumas novas animações e insultos também. Eu perguntei ao nosso animador Iggy se ele sabe o que ele quer fazer e ele ainda não disse, então se você tiver alguma sugestão para ele, por favor, escreva-o nos comentários e sua ideia de provocação pode acabar no jogo!

Estamos trabalhando no cabelo, bem como cabelo masculino, cabelo feminino, barba, cabelo na cabeça, pêlos no corpo, todos os tipos de cabelo. Você será capaz de crescer, cortar ou raspar, então estamos com as mãos ocupadas.

E por último mas não menos importante - estações! Nós testamos a neve com a nossa atualização de Natal e a maioria de vocês disseram que gostaram, então deixamos alguns no norte, para o caso de você querer andar de trenó mais tarde também. Bem, em breve você terá temporadas reais e tudo o que acontece com elas.

Eu posso ter perdido alguma coisa acidentalmente ou de propósito, mas espero que agora você tenha uma melhor imagem da nossa agenda. Você ainda estará recebendo seus posts regulares de WiP por Josip, assim como algumas outras surpresas da equipe de marketing, então não se preocupe! Apenas lembre-se - estamos assistindo. Estamos sempre assistindo.

Te amo, tchau!
___________________ * Work in Progress.
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2019.02.06 04:31 orpheu272 Odisseia p.4

A Odisseia p.3 me fez refletir muito e trouxe muitas sensações nostálgicas - boas e ruins.
Após os acontecimentos relatados anteriormente, muita coisa aconteceu. Eu contei tudo sobre a ida de meu pai e eu à casa de sua outra mulher. Minha mãe ficou em choque, mas, resumindo, nada fez. Meus pais discutiram feio, porém como em um forte temporal, tudo se acalmou e o único despedaçado pelos ventos fortes fui eu.
Nossa vida seguiu como se nada tivesse acontecido. Meu pai continuava “trabalhando” nos fins de semana, e minha mãe acreditava fielmente nisso.
O ano era 2004. Na época eu estudava no Imaculada Conceição (“entra burro, sai ladrão”, essa era a piada interna de nossa sala da 3ª série) - hoje o colégio não existe mais, no seu lugar foi construído uma nova escola chamada Ativa. Minha vida seguiu e eu fui jogando todo aquele acontecimento para longe, em um lado da memória que eu pretendia nunca mais acessar. Minha rotina era como a de qualquer criança: pela manhã eu acordava bem cedo e assistia o Art Attack e todos os desenhos possíveis, almoçava e saia junto à minha mãe para o colégio que ficava duas ruas de distância de minha casa; de lá minha mãe seguia para o trabalho, em uma escola menor, três ruas atrás de onde eu estudava. Quando eu saia do colégio, subia a ladeira do IPE que dava direto a uma casa larga com dois pés de jambo na frente. Era a casa da minha avó. Lembro que eu subia aquela rua contando meus passos; meu primo sempre me esperava junto ao meu avô, na calçada. Eram tempos bons, sem preocupação e sem nenhum planejamento quanto ao futuro. Tudo o que me importava estava ali: meus avós, meu primo, meus tios, minha mãe e irmãos, aquela imensa rua e todos os meus amigos, todo o IPE que eu tinha a liberdade de correr.
(abro um parêntese aqui apenas para mostrar esse fato curioso: https://www.google.com/maps/@-5.8519077,-35.3517844,3a,75y,35.43h,93.97t/data=!3m6!1e1!3m4!1sSkt77cA6_uDfibvoWpUAiA!2e0!7i13312!8i6656 - essa é a minha avó sentada na frente de sua casa. Ao seu lado está seu vizinho, Manoel, mais conhecido como “Mané Capeta”.)
Certo dia minha mãe disse que precisávamos nos mudar. Foi uma notícia repentina. Nosso destino era Santa Cruz, cidade do interior do RN, lugar aonde meu pai nasceu e cresceu e onde, também, vivia toda a família dos meus avós paternos. Tudo isso foi uma surpresa muito boa, pois eu sempre amei aquela cidade, sempre me senti atraído por tudo o que havia lá. Santa Cruz é uma cidade impressionante, ao seu redor há serras e um clima de tranquilidade que eu nunca vi - até hoje sinto isso quando visito meus familiares que moram lá. Eu fiquei muito feliz com a notícia, embora na época não soubesse -e até não ligasse - o motivo de nossa ida. Mais tarde descobri que estávamos nos mudando porque meu pai havia contraído uma dívida alta com um agiota e outras pessoas. No desespero todos nós nos mudamos, meus pais e avós paternos.
A chegada em Santa Cruz foi interessante. Eu sentia uma paz e alívio, talvez meu inconsciente estivesse ciente de certos acontecimentos que o meu “eu” criança não estava dando muita bola. Nossa primeira parada foi na rua Mossoró, na casa de meus bisavós, os pais da minha avó Arlete. De lá, fomos para a casa que minha avó alugara para ela, meu avô e tia. Era uma casa muito comprida, três quartos, uma cozinha imensa e um quintal grande que ficava no térreo da casa. Lá nós passamos a noite, para nos mudarmos para nossa casa no dia seguinte. As coisas foram se encaixando de forma mágica: antes de chegarmos à Santa Cruz, meu bisavô conhecido como “Seu Peão” havia falado com um amigo sobre seu neto, esposa e filhos que estavam chegando para morar na cidade, prontamente seu amigo disse que tinha uma casa para alugar e que seria nossa assim que chegássemos. Eu não tenho como provar isso para vocês, mas espero que acreditem, o aluguel da casa custava R$ 80,00. Eu nunca vi isso em lugar nenhum do MUNDO! Enquanto meu bisavô fazia essa gentileza, minha tia Shyrlei, irmã de minha avó, estava falando com a diretora da escola em que ela trabalhava. Foi ela que conseguiu a entrevista para minha mãe.
(https://www.google.com/maps/place/R.+Mossor%C3%B3,+Santa+Cruz+-+RN,+59200-000/@-6.2322868,-36.017769,3a,75y,114.24h,81.89t/data=!3m7!1e1!3m5!1swyiXzeGVvR5VbUYR5tTxJQ!2e0!3e11!7i13312!8i6656!4m5!3m4!1s0x7b1fbf19b3cd5c9:0x1e3a8db953381fe8!8m2!3d-6.2332947!4d-36.016516 Essa era a nossa casa. Na época não tinha essa mureta e no lugar da pequena palmeira havia uma árvore que, como não sabíamos a qual espécie pertencia, chamávamos de “pé de pau”. Se vocês andarem para a esquerda, irão se deparar com uma ladeira - também a esquerda - e descendo ela, chegarão ao Santa Lúcia.)
Na semana seguinte estávamos em nossa casa, minha mãe trabalhando e eu com uma nova turma no colégio. Eu amava tanto aquela casa, amava tanto o canto dos pássaros, o cheiro fedido dos besouros que ficavam na árvore na frente de casa, acordar cedo para comprar o leite que vinha direto de um sítio, mas eu amava o conjunto de tudo isso e a sensação de que todos os problemas e aquela vida pesada havia ficado para trás, lá em Macaíba.
Na rua ao lado morava os meus primos, Tainã e Thiego. A minha tia Arleide, irmã da minha avó, cuidava deles, mas o único que morava com ela era Tainã, seu neto mais velho. Toda tarde, ao voltar do colégio, eu assistia Cavaleiros do Zodíaco na Bandeirantes, jantava e corria para brincar com eles e os meninos da rua. Eu amava tudo aquilo. Nós corríamos da Rua Mossoró até a praça Tequinha Farias - e minha mãe nem fazia ideia. Era comum nos finais de semana a gente subir o cruzeiro que, na época, não tinha a Santa Rita como monumento.
Santa Cruz é uma cidade católica, de pessoas bondosas e uma limpeza invejável. Eu me sinto em casa sempre que vou até lá. Lembro das ruas por onde andei, os amigos com quem brinquei e as tardes gostosas que passei na casa da minha doce a amada bisavó Helena, a mãe de meu avô (escrevo brevemente sobre ela nesse parágrafo com uma dor imensa no peito. Em algum momento falarei mais sobre você, vovó).
Mas uma coisa que me marcou em Santa Cruz não foi a sensação de fazer parte de algo ou o preenchimento que aquela cidade me dava. Foi justamente a perda que me marcou como brasa.
Dito isto, iremos iniciar uma nova aventura. Não se preocupe, estou com você, pois fui o primeiro, o original.

A jangada que leva…

Eu e meu primo Tainã éramos muito unidos: brigamos, batemos um no outro ao ponto de ficar um do lado do outro cansado no chão, mas nos amávamos como irmãos. Era minha companhia de todas as horas; andávamos aquela cidade, conhecíamos tudo que havia ali e gostávamos de explorar cada canto ainda não explorado. Tainã era luz, sempre disposto, sempre caridoso. Ele sempre estava para ajudar qualquer pessoa, independente de quem fosse. Ele era puro, verdadeiro e iluminava aonde chegava. Tainã foi meu primeiro melhor amigo. Tudo era bom quando ele estava por perto - mesmo o dia em que zoamos alguns meninos na rua e eles correram atrás de nós dois.
Uma noite de sexta todos estavam brincando na rua da casa de minha tia. Lembro que a gente estava brincando de polícia e ladrão. Acho que foi o dia que mais fiquei sem fôlego. O tempo estava fechado, mas estava quente e sem vento. Era uma noite silenciosa, mesmo com todos aqueles gritos de criança e pessoas em suas calçadas conversando. Às 20:00 me despedi dos meus amigos e do meu primo. Ainda lembro da conversa:
-Vai jogar videogame amanhã comigo, né?
-Vou. Papai vai sair pro sítio amanhã de duas horas, mas se você passar aqui eu vou com você jogar.
-Tá certo.
No dia seguinte eu almocei rápido e pedi dinheiro para minha mãe. Eu estava completamente viciado em Halo e queria logo correr para o videogame. Nesse meio tempo acabei brigando com o meu irmão, bati nele. Minha mãe estava no quintal lavando roupa e ouviu toda a confusão. Por eu ter feito aquilo, ela me proibiu de sair naquele dia para brincar, então eu chorei com muita raiva. Por volta das 14:00, Tainã apareceu na janela da sala, eu o avisei que não iria pois mãe havia me proibido de sair naquele dia. Ele então foi para o sítio junto de Luiz, seu avô (que ele chamava de pai).
Lembro que meu dia foi bem tedioso. A programação da TV aberta sempre foi ruim e a única pessoa que eu podia brincar no momento, estava emburrado comigo, além disso o tempo não ajudava nada, demorava a passar e parecia parado, monótono, cinza.
Eu não lembro bem a hora, mas foi lá pro fim da tarde, minha avó chegou na minha casa e eu fui recebê-la. Ela me gritou, pediu para que eu chamasse minha mãe e que não voltasse. Achei estranho minha avó agir daquela forma comigo, ela nunca tinha feito isso antes e era notório seu nervosismo. Como o quarto de minha mãe era o primeiro e muito próximo da sala,mesmo que elas estivessem falando baixo, eu ainda consegui ouvir “Tainã” e “morreu”.
Eu não quis acreditar no que havia ouvido. Talvez meus ouvidos estivessem pregando uma peça em mim. Era impossível. Tainã estava saudável brincando comigo na noite anterior, eu o vi vivinho horas atrás na janela de minha casa…
Minha avó foi embora em direção à casa de minha tia. Ao entrar no quarto minha mãe fez aquele ar de quem quer conversar. Reconheci na hora aquela cara de quem vem falar algo sério. Ela se sentou ao meu lado na cama, respirou, olhou nos meus olhos e falou calmamente, mesmo com sua voz um pouco trêmula: “meu filho, sua avó veio aqui pra avisar que seu primo foi levado ao hospital em Natal. Ele estava andando de cavalo no sitio, quando caiu e bateu com a cabeça, mas vai ficar tudo bem”.
A verdade é que Tainã já estava morto antes mesmo de chegar em Natal. Ele havia morrido no caminho. No sítio, ele decidiu andar de cavalo, mas a viseira não estava bem encaixada. No momento em que ele puxou, ela acertou o olho do cavalo e este deu um impulso com as patas da frente. Meu primo caiu, bateu com a cabeça justamente em uma pedrinha e sua massa encefálica saiu pelo ouvido.
Mais tarde naquele mesmo dia, fomos à casa de minha tia Arleide. Lembro que entrei, passei pela sala e fui em direção do quarto dela. No momento em que ela me viu, me abraçou. Ali foi a primeira vez que eu senti o peso da vida, das emoções, do pesar. Ela me abraçou como quem se agarra a uma esperança. Talvez ela nem estivesse abraçando Jean Filho, seu sobrinho, mas usando meu corpo para imaginar Tainã, seu neto, o neto que ela tanto amava e que não estava presente no momento de sua partida. Tudo estava parado ali. Nada funcionava; não havia voz, não havia pessoas, muito embora a casa estivesse repleta de familiares. A única coisa que existia ali era aquele abraço forte e um choro de agonia, de dor, de pranto e súplica. Minha tia não perdeu apenas um neto naquele dia. Ela perdeu um filho e uma parte de si.
A morte de Tainã marcou o fim da infância, da inocência, dos tempos bons correndo as ladeiras de Santa Cruz. Sua morte levou um pedaço de todos nós. Eu carreguei umas rosas que me entregaram; fui à frente do velório. Para todo lugar que eu olhava, tinham pessoas nas calçadas olhando, não de curiosidade, mas com um olhar triste e respeitoso. Meu primo foi muito querido em nossa cidade.
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2019.02.04 21:13 orpheu272 Odisseia p.4

A Odisseia p.3 me fez refletir muito e trouxe muitas sensações nostálgicas - boas e ruins.
Após os acontecimentos relatados anteriormente, muita coisa aconteceu. Eu contei tudo sobre a ida de meu pai e eu à casa de sua outra mulher. Minha mãe ficou em choque, mas, resumindo, nada fez. Meus pais discutiram feio, porém como em um forte temporal, tudo se acalmou e o único despedaçado pelos ventos fortes fui eu.
Nossa vida seguiu como se nada tivesse acontecido. Meu pai continuava “trabalhando” nos fins de semana, e minha mãe acreditava fielmente nisso.
O ano era 2004. Na época eu estudava no Imaculada Conceição (“entra burro, sai ladrão”, essa era a piada interna de nossa sala da 3ª série) - hoje o colégio não existe mais, no seu lugar foi construído uma nova escola chamada Ativa. Minha vida seguiu e eu fui jogando todo aquele acontecimento para longe, em um lado da memória que eu pretendia nunca mais acessar. Minha rotina era como a de qualquer criança: pela manhã eu acordava bem cedo e assistia o Art Attack e todos os desenhos possíveis, almoçava e saia junto à minha mãe para o colégio que ficava duas ruas de distância de minha casa; de lá minha mãe seguia para o trabalho, em uma escola menor, três ruas atrás de onde eu estudava. Quando eu saia do colégio, subia a ladeira do IPE que dava direto a uma casa larga com dois pés de jambo na frente. Era a casa da minha avó. Lembro que eu subia aquela rua contando meus passos; meu primo sempre me esperava junto ao meu avô, na calçada. Eram tempos bons, sem preocupação e sem nenhum planejamento quanto ao futuro. Tudo o que me importava estava ali: meus avós, meu primo, meus tios, minha mãe e irmãos, aquela imensa rua e todos os meus amigos, todo o IPE que eu tinha a liberdade de correr.
(abro um parêntese aqui apenas para mostrar esse fato curioso: https://www.google.com/maps/@-5.8519077,-35.3517844,3a,75y,35.43h,93.97t/data=!3m6!1e1!3m4!1sSkt77cA6_uDfibvoWpUAiA!2e0!7i13312!8i6656 - essa é a minha avó sentada na frente de sua casa. Ao seu lado está seu vizinho, Manoel, mais conhecido como “Mané Capeta”.)
Certo dia minha mãe disse que precisávamos nos mudar. Foi uma notícia repentina. Nosso destino era Santa Cruz, cidade do interior do RN, lugar aonde meu pai nasceu e cresceu e onde, também, vivia toda a família dos meus avós paternos. Tudo isso foi uma surpresa muito boa, pois eu sempre amei aquela cidade, sempre me senti atraído por tudo o que havia lá. Santa Cruz é uma cidade impressionante, ao seu redor há serras e um clima de tranquilidade que eu nunca vi - até hoje sinto isso quando visito meus familiares que moram lá. Eu fiquei muito feliz com a notícia, embora na época não soubesse -e até não ligasse - o motivo de nossa ida. Mais tarde descobri que estávamos nos mudando porque meu pai havia contraído uma dívida alta com um agiota e outras pessoas. No desespero todos nós nos mudamos, meus pais e avós paternos.
A chegada em Santa Cruz foi interessante. Eu sentia uma paz e alívio, talvez meu inconsciente estivesse ciente de certos acontecimentos que o meu “eu” criança não estava dando muita bola. Nossa primeira parada foi na rua Mossoró, na casa de meus bisavós, os pais da minha avó Arlete. De lá, fomos para a casa que minha avó alugara para ela, meu avô e tia. Era uma casa muito comprida, três quartos, uma cozinha imensa e um quintal grande que ficava no térreo da casa. Lá nós passamos a noite, para nos mudarmos para nossa casa no dia seguinte. As coisas foram se encaixando de forma mágica: antes de chegarmos à Santa Cruz, meu bisavô conhecido como “Seu Peão” havia falado com um amigo sobre seu neto, esposa e filhos que estavam chegando para morar na cidade, prontamente seu amigo disse que tinha uma casa para alugar e que seria nossa assim que chegássemos. Eu não tenho como provar isso para vocês, mas espero que acreditem, o aluguel da casa custava R$ 80,00. Eu nunca vi isso em lugar nenhum do MUNDO! Enquanto meu bisavô fazia essa gentileza, minha tia Shyrlei, irmã de minha avó, estava falando com a diretora da escola em que ela trabalhava. Foi ela que conseguiu a entrevista para minha mãe.
(https://www.google.com/maps/place/R.+Mossor%C3%B3,+Santa+Cruz+-+RN,+59200-000/@-6.2322868,-36.017769,3a,75y,114.24h,81.89t/data=!3m7!1e1!3m5!1swyiXzeGVvR5VbUYR5tTxJQ!2e0!3e11!7i13312!8i6656!4m5!3m4!1s0x7b1fbf19b3cd5c9:0x1e3a8db953381fe8!8m2!3d-6.2332947!4d-36.016516 Essa era a nossa casa. Na época não tinha essa mureta e no lugar da pequena palmeira havia uma árvore que, como não sabíamos a qual espécie pertencia, chamávamos de “pé de pau”. Se vocês andarem para a esquerda, irão se deparar com uma ladeira - também a esquerda - e descendo ela, chegarão ao Santa Lúcia.)
Na semana seguinte estávamos em nossa casa, minha mãe trabalhando e eu com uma nova turma no colégio. Eu amava tanto aquela casa, amava tanto o canto dos pássaros, o cheiro fedido dos besouros que ficavam na árvore na frente de casa, acordar cedo para comprar o leite que vinha direto de um sítio, mas eu amava o conjunto de tudo isso e a sensação de que todos os problemas e aquela vida pesada havia ficado para trás, lá em Macaíba.
Na rua ao lado morava os meus primos, Tainã e Thiego. A minha tia Arleide, irmã da minha avó, cuidava deles, mas o único que morava com ela era Tainã, seu neto mais velho. Toda tarde, ao voltar do colégio, eu assistia Cavaleiros do Zodíaco na Bandeirantes, jantava e corria para brincar com eles e os meninos da rua. Eu amava tudo aquilo. Nós corríamos da Rua Mossoró até a praça Tequinha Farias - e minha mãe nem fazia ideia. Era comum nos finais de semana a gente subir o cruzeiro que, na época, não tinha a Santa Rita como monumento.
Santa Cruz é uma cidade católica, de pessoas bondosas e uma limpeza invejável. Eu me sinto em casa sempre que vou até lá. Lembro das ruas por onde andei, os amigos com quem brinquei e as tardes gostosas que passei na casa da minha doce a amada bisavó Helena, a mãe de meu avô (escrevo brevemente sobre ela nesse parágrafo com uma dor imensa no peito. Em algum momento falarei mais sobre você, vovó).
Mas uma coisa que me marcou em Santa Cruz não foi a sensação de fazer parte de algo ou o preenchimento que aquela cidade me dava. Foi justamente a perda que me marcou como brasa.
Dito isto, iremos iniciar uma nova aventura. Não se preocupe, estou com você, pois fui o primeiro, o original.

A jangada que leva…

Eu e meu primo Tainã éramos muito unidos: brigamos, batemos um no outro ao ponto de ficar um do lado do outro cansado no chão, mas nos amávamos como irmãos. Era minha companhia de todas as horas; andávamos aquela cidade, conhecíamos tudo que havia ali e gostávamos de explorar cada canto ainda não explorado. Tainã era luz, sempre disposto, sempre caridoso. Ele sempre estava para ajudar qualquer pessoa, independente de quem fosse. Ele era puro, verdadeiro e iluminava aonde chegava. Tainã foi meu primeiro melhor amigo. Tudo era bom quando ele estava por perto - mesmo o dia em que zoamos alguns meninos na rua e eles correram atrás de nós dois.
Uma noite de sexta todos estavam brincando na rua da casa de minha tia. Lembro que a gente estava brincando de polícia e ladrão. Acho que foi o dia que mais fiquei sem fôlego. O tempo estava fechado, mas estava quente e sem vento. Era uma noite silenciosa, mesmo com todos aqueles gritos de criança e pessoas em suas calçadas conversando. Às 20:00 me despedi dos meus amigos e do meu primo. Ainda lembro da conversa:
-Vai jogar videogame amanhã comigo, né?
-Vou. Papai vai sair pro sítio amanhã de duas horas, mas se você passar aqui eu vou com você jogar.
-Tá certo.
No dia seguinte eu almocei rápido e pedi dinheiro para minha mãe. Eu estava completamente viciado em Halo e queria logo correr para o videogame. Nesse meio tempo acabei brigando com o meu irmão, bati nele. Minha mãe estava no quintal lavando roupa e ouviu toda a confusão. Por eu ter feito aquilo, ela me proibiu de sair naquele dia para brincar, então eu chorei com muita raiva. Por volta das 14:00, Tainã apareceu na janela da sala, eu o avisei que não iria pois mãe havia me proibido de sair naquele dia. Ele então foi para o sítio junto de Luiz, seu avô (que ele chamava de pai).
Lembro que meu dia foi bem tedioso. A programação da TV aberta sempre foi ruim e a única pessoa que eu podia brincar no momento, estava emburrado comigo, além disso o tempo não ajudava nada, demorava a passar e parecia parado, monótono, cinza.
Eu não lembro bem a hora, mas foi lá pro fim da tarde, minha avó chegou na minha casa e eu fui recebê-la. Ela me gritou, pediu para que eu chamasse minha mãe e que não voltasse. Achei estranho minha avó agir daquela forma comigo, ela nunca tinha feito isso antes e era notório seu nervosismo. Como o quarto de minha mãe era o primeiro e muito próximo da sala,mesmo que elas estivessem falando baixo, eu ainda consegui ouvir “Tainã” e “morreu”.
Eu não quis acreditar no que havia ouvido. Talvez meus ouvidos estivessem pregando uma peça em mim. Era impossível. Tainã estava saudável brincando comigo na noite anterior, eu o vi vivinho horas atrás na janela de minha casa…
Minha avó foi embora em direção à casa de minha tia. Ao entrar no quarto minha mãe fez aquele ar de quem quer conversar. Reconheci na hora aquela cara de quem vem falar algo sério. Ela se sentou ao meu lado na cama, respirou, olhou nos meus olhos e falou calmamente, mesmo com sua voz um pouco trêmula: “meu filho, sua avó veio aqui pra avisar que seu primo foi levado ao hospital em Natal. Ele estava andando de cavalo no sitio, quando caiu e bateu com a cabeça, mas vai ficar tudo bem”.
A verdade é que Tainã já estava morto antes mesmo de chegar em Natal. Ele havia morrido no caminho. No sítio, ele decidiu andar de cavalo, mas a viseira não estava bem encaixada. No momento em que ele puxou, ela acertou o olho do cavalo e este deu um impulso com as patas da frente. Meu primo caiu, bateu com a cabeça justamente em uma pedrinha e sua massa encefálica saiu pelo ouvido.
Mais tarde naquele mesmo dia, fomos à casa de minha tia Arleide. Lembro que entrei, passei pela sala e fui em direção do quarto dela. No momento em que ela me viu, me abraçou. Ali foi a primeira vez que eu senti o peso da vida, das emoções, do pesar. Ela me abraçou como quem se agarra a uma esperança. Talvez ela nem estivesse abraçando Jean Filho, seu sobrinho, mas usando meu corpo para imaginar Tainã, seu neto, o neto que ela tanto amava e que não estava presente no momento de sua partida. Tudo estava parado ali. Nada funcionava; não havia voz, não havia pessoas, muito embora a casa estivesse repleta de familiares. A única coisa que existia ali era aquele abraço forte e um choro de agonia, de dor, de pranto e súplica. Minha tia não perdeu apenas um neto naquele dia. Ela perdeu um filho e uma parte de si.
A morte de Tainã marcou o fim da infância, da inocência, dos tempos bons correndo as ladeiras de Santa Cruz. Sua morte levou um pedaço de todos nós. Eu carreguei umas rosas que me entregaram; fui à frente do velório. Para todo lugar que eu olhava, tinham pessoas nas calçadas olhando, não de curiosidade, mas com um olhar triste e respeitoso. Meu primo foi muito querido em nossa cidade.
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2019.02.04 21:11 orpheu272 Odisseia p.4

A Odisseia p.3 me fez refletir muito e trouxe muitas sensações nostálgicas - boas e ruins.
Após os acontecimentos relatados anteriormente, muita coisa aconteceu. Eu contei tudo sobre a ida de meu pai e eu à casa de sua outra mulher. Minha mãe ficou em choque, mas, resumindo, nada fez. Meus pais discutiram feio, porém como em um forte temporal, tudo se acalmou e o único despedaçado pelos ventos fortes fui eu.
Nossa vida seguiu como se nada tivesse acontecido. Meu pai continuava “trabalhando” nos fins de semana, e minha mãe acreditava fielmente nisso.
O ano era 2004. Na época eu estudava no Imaculada Conceição (“entra burro, sai ladrão”, essa era a piada interna de nossa sala da 3ª série) - hoje o colégio não existe mais, no seu lugar foi construído uma nova escola chamada Ativa. Minha vida seguiu e eu fui jogando todo aquele acontecimento para longe, em um lado da memória que eu pretendia nunca mais acessar. Minha rotina era como a de qualquer criança: pela manhã eu acordava bem cedo e assistia o Art Attack e todos os desenhos possíveis, almoçava e saia junto à minha mãe para o colégio que ficava duas ruas de distância de minha casa; de lá minha mãe seguia para o trabalho, em uma escola menor, três ruas atrás de onde eu estudava. Quando eu saia do colégio, subia a ladeira do IPE que dava direto a uma casa larga com dois pés de jambo na frente. Era a casa da minha avó. Lembro que eu subia aquela rua contando meus passos; meu primo sempre me esperava junto ao meu avô, na calçada. Eram tempos bons, sem preocupação e sem nenhum planejamento quanto ao futuro. Tudo o que me importava estava ali: meus avós, meu primo, meus tios, minha mãe e irmãos, aquela imensa rua e todos os meus amigos, todo o IPE que eu tinha a liberdade de correr.
(abro um parêntese aqui apenas para mostrar esse fato curioso: https://www.google.com/maps/@-5.8519077,-35.3517844,3a,75y,35.43h,93.97t/data=!3m6!1e1!3m4!1sSkt77cA6_uDfibvoWpUAiA!2e0!7i13312!8i6656 - essa é a minha avó sentada na frente de sua casa. Ao seu lado está seu vizinho, Manoel, mais conhecido como “Mané Capeta”.)
Certo dia minha mãe disse que precisávamos nos mudar. Foi uma notícia repentina. Nosso destino era Santa Cruz, cidade do interior do RN, lugar aonde meu pai nasceu e cresceu e onde, também, vivia toda a família dos meus avós paternos. Tudo isso foi uma surpresa muito boa, pois eu sempre amei aquela cidade, sempre me senti atraído por tudo o que havia lá. Santa Cruz é uma cidade impressionante, ao seu redor há serras e um clima de tranquilidade que eu nunca vi - até hoje sinto isso quando visito meus familiares que moram lá. Eu fiquei muito feliz com a notícia, embora na época não soubesse -e até não ligasse - o motivo de nossa ida. Mais tarde descobri que estávamos nos mudando porque meu pai havia contraído uma dívida alta com um agiota e outras pessoas. No desespero todos nós nos mudamos, meus pais e avós paternos.
A chegada em Santa Cruz foi interessante. Eu sentia uma paz e alívio, talvez meu inconsciente estivesse ciente de certos acontecimentos que o meu “eu” criança não estava dando muita bola. Nossa primeira parada foi na rua Mossoró, na casa de meus bisavós, os pais da minha avó Arlete. De lá, fomos para a casa que minha avó alugara para ela, meu avô e tia. Era uma casa muito comprida, três quartos, uma cozinha imensa e um quintal grande que ficava no térreo da casa. Lá nós passamos a noite, para nos mudarmos para nossa casa no dia seguinte. As coisas foram se encaixando de forma mágica: antes de chegarmos à Santa Cruz, meu bisavô conhecido como “Seu Peão” havia falado com um amigo sobre seu neto, esposa e filhos que estavam chegando para morar na cidade, prontamente seu amigo disse que tinha uma casa para alugar e que seria nossa assim que chegássemos. Eu não tenho como provar isso para vocês, mas espero que acreditem, o aluguel da casa custava R$ 80,00. Eu nunca vi isso em lugar nenhum do MUNDO! Enquanto meu bisavô fazia essa gentileza, minha tia Shyrlei, irmã de minha avó, estava falando com a diretora da escola em que ela trabalhava. Foi ela que conseguiu a entrevista para minha mãe.
(https://www.google.com/maps/place/R.+Mossor%C3%B3,+Santa+Cruz+-+RN,+59200-000/@-6.2322868,-36.017769,3a,75y,114.24h,81.89t/data=!3m7!1e1!3m5!1swyiXzeGVvR5VbUYR5tTxJQ!2e0!3e11!7i13312!8i6656!4m5!3m4!1s0x7b1fbf19b3cd5c9:0x1e3a8db953381fe8!8m2!3d-6.2332947!4d-36.016516 Essa era a nossa casa. Na época não tinha essa mureta e no lugar da pequena palmeira havia uma árvore que, como não sabíamos a qual espécie pertencia, chamávamos de “pé de pau”. Se vocês andarem para a esquerda, irão se deparar com uma ladeira - também a esquerda - e descendo ela, chegarão ao Santa Lúcia.)
Na semana seguinte estávamos em nossa casa, minha mãe trabalhando e eu com uma nova turma no colégio. Eu amava tanto aquela casa, amava tanto o canto dos pássaros, o cheiro fedido dos besouros que ficavam na árvore na frente de casa, acordar cedo para comprar o leite que vinha direto de um sítio, mas eu amava o conjunto de tudo isso e a sensação de que todos os problemas e aquela vida pesada havia ficado para trás, lá em Macaíba.
Na rua ao lado morava os meus primos, Tainã e Thiego. A minha tia Arleide, irmã da minha avó, cuidava deles, mas o único que morava com ela era Tainã, seu neto mais velho. Toda tarde, ao voltar do colégio, eu assistia Cavaleiros do Zodíaco na Bandeirantes, jantava e corria para brincar com eles e os meninos da rua. Eu amava tudo aquilo. Nós corríamos da Rua Mossoró até a praça Tequinha Farias - e minha mãe nem fazia ideia. Era comum nos finais de semana a gente subir o cruzeiro que, na época, não tinha a Santa Rita como monumento.
Santa Cruz é uma cidade católica, de pessoas bondosas e uma limpeza invejável. Eu me sinto em casa sempre que vou até lá. Lembro das ruas por onde andei, os amigos com quem brinquei e as tardes gostosas que passei na casa da minha doce a amada bisavó Helena, a mãe de meu avô (escrevo brevemente sobre ela nesse parágrafo com uma dor imensa no peito. Em algum momento falarei mais sobre você, vovó).
Mas uma coisa que me marcou em Santa Cruz não foi a sensação de fazer parte de algo ou o preenchimento que aquela cidade me dava. Foi justamente a perda que me marcou como brasa.
Dito isto, iremos iniciar uma nova aventura. Não se preocupe, estou com você, pois fui o primeiro, o original.

A jangada que leva…

Eu e meu primo Tainã éramos muito unidos: brigamos, batemos um no outro ao ponto de ficar um do lado do outro cansado no chão, mas nos amávamos como irmãos. Era minha companhia de todas as horas; andávamos aquela cidade, conhecíamos tudo que havia ali e gostávamos de explorar cada canto ainda não explorado. Tainã era luz, sempre disposto, sempre caridoso. Ele sempre estava para ajudar qualquer pessoa, independente de quem fosse. Ele era puro, verdadeiro e iluminava aonde chegava. Tainã foi meu primeiro melhor amigo. Tudo era bom quando ele estava por perto - mesmo o dia em que zoamos alguns meninos na rua e eles correram atrás de nós dois.
Uma noite de sexta todos estavam brincando na rua da casa de minha tia. Lembro que a gente estava brincando de polícia e ladrão. Acho que foi o dia que mais fiquei sem fôlego. O tempo estava fechado, mas estava quente e sem vento. Era uma noite silenciosa, mesmo com todos aqueles gritos de criança e pessoas em suas calçadas conversando. Às 20:00 me despedi dos meus amigos e do meu primo. Ainda lembro da conversa:
-Vai jogar videogame amanhã comigo, né?
-Vou. Papai vai sair pro sítio amanhã de duas horas, mas se você passar aqui eu vou com você jogar.
-Tá certo.
No dia seguinte eu almocei rápido e pedi dinheiro para minha mãe. Eu estava completamente viciado em Halo e queria logo correr para o videogame. Nesse meio tempo acabei brigando com o meu irmão, bati nele. Minha mãe estava no quintal lavando roupa e ouviu toda a confusão. Por eu ter feito aquilo, ela me proibiu de sair naquele dia para brincar, então eu chorei com muita raiva. Por volta das 14:00, Tainã apareceu na janela da sala, eu o avisei que não iria pois mãe havia me proibido de sair naquele dia. Ele então foi para o sítio junto de Luiz, seu avô (que ele chamava de pai).
Lembro que meu dia foi bem tedioso. A programação da TV aberta sempre foi ruim e a única pessoa que eu podia brincar no momento, estava emburrado comigo, além disso o tempo não ajudava nada, demorava a passar e parecia parado, monótono, cinza.
Eu não lembro bem a hora, mas foi lá pro fim da tarde, minha avó chegou na minha casa e eu fui recebê-la. Ela me gritou, pediu para que eu chamasse minha mãe e que não voltasse. Achei estranho minha avó agir daquela forma comigo, ela nunca tinha feito isso antes e era notório seu nervosismo. Como o quarto de minha mãe era o primeiro e muito próximo da sala,mesmo que elas estivessem falando baixo, eu ainda consegui ouvir “Tainã” e “morreu”.
Eu não quis acreditar no que havia ouvido. Talvez meus ouvidos estivessem pregando uma peça em mim. Era impossível. Tainã estava saudável brincando comigo na noite anterior, eu o vi vivinho horas atrás na janela de minha casa…
Minha avó foi embora em direção à casa de minha tia. Ao entrar no quarto minha mãe fez aquele ar de quem quer conversar. Reconheci na hora aquela cara de quem vem falar algo sério. Ela se sentou ao meu lado na cama, respirou, olhou nos meus olhos e falou calmamente, mesmo com sua voz um pouco trêmula: “meu filho, sua avó veio aqui pra avisar que seu primo foi levado ao hospital em Natal. Ele estava andando de cavalo no sitio, quando caiu e bateu com a cabeça, mas vai ficar tudo bem”.
A verdade é que Tainã já estava morto antes mesmo de chegar em Natal. Ele havia morrido no caminho. No sítio, ele decidiu andar de cavalo, mas a viseira não estava bem encaixada. No momento em que ele puxou, ela acertou o olho do cavalo e este deu um impulso com as patas da frente. Meu primo caiu, bateu com a cabeça justamente em uma pedrinha e sua massa encefálica saiu pelo ouvido.
Mais tarde naquele mesmo dia, fomos à casa de minha tia Arleide. Lembro que entrei, passei pela sala e fui em direção do quarto dela. No momento em que ela me viu, me abraçou. Ali foi a primeira vez que eu senti o peso da vida, das emoções, do pesar. Ela me abraçou como quem se agarra a uma esperança. Talvez ela nem estivesse abraçando Jean Filho, seu sobrinho, mas usando meu corpo para imaginar Tainã, seu neto, o neto que ela tanto amava e que não estava presente no momento de sua partida. Tudo estava parado ali. Nada funcionava; não havia voz, não havia pessoas, muito embora a casa estivesse repleta de familiares. A única coisa que existia ali era aquele abraço forte e um choro de agonia, de dor, de pranto e súplica. Minha tia não perdeu apenas um neto naquele dia. Ela perdeu um filho e uma parte de si.
A morte de Tainã marcou o fim da infância, da inocência, dos tempos bons correndo as ladeiras de Santa Cruz. Sua morte levou um pedaço de todos nós. Eu carreguei umas rosas que me entregaram; fui à frente do velório. Para todo lugar que eu olhava, tinham pessoas nas calçadas olhando, não de curiosidade, mas com um olhar triste e respeitoso. Meu primo foi muito querido em nossa cidade.
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2018.05.15 01:11 IamnottheJoe Fui a Russia BR..... e fiz um post longo sobre isso.

Post longo, sobre minha viagem ao Paraná. Não, não virei especialista, só estou relatando meu passeio, deixe de ser incel e va conhecer algum lugar tb.
Salve galera, firmeza? Seguinte, estou em férias, por isso dei uma sumida daqui e com toda certeza, ninguém notou, ainda mais depois de ter feito uma declaração infeliz sobre o rj (deculpe cariocas). Pois bem, não tenho grana e não consegui ir para a Bahia. A minha gata tb entrou em férias e os pais delas queriam ver a familia no Paraná.... la fomos nós. Arapongas era o destino. 750Kms, saimos as 5:00 da madruga e chegamos a 14:30. Essa foi a rota .
Passamos por algumas rodovias, me impressionou o tanto de pedagio que foi pago, mano, mais de 15 pedagios. Rodovias legais, bem cuidadas realmente, mas sério, porque eu pago imposto mesmo? A pessoa que cobra o pedagio conta os eixos ou tem algum sistema que ja monitora e insere no sistema dela?....
Mas vamos ao que interessa, a Russia BR. Cara, que lugar, altas retas a perder de vista, terra vermelha, plantações de milho imensas. Como não temos road movies ou filmes de terror com um cenario desses? Infelizmente, parece que nos ultimos dias não tem chovido, então, o pessoal esta receoso com as plantações. Cheguei a Arapongas, cidade bonita, chamada de capital moveleira do sul. Andei pouco na cidade, passei pela Unopar que parece ser grande por ali. As ruas são bem movimentadas, parece ser uma cidade que cresceu bem recentemente e a infra não acompanhou. Achei a cidade bem simpatica.
Fui muito bem recebido, muita fartura de comida. Fui a casa da avó da minha esposa, um senhora bem debilitada, mas com um humor acido. Ela mora com suas filhas, ja idosas tb e que cuidam dela. Todos brancos, inclusive, notei que realmente ha poucos negros por la, obviamente isso é normal, não estou criticando, apenas fazendo uma observação. A matriarca da familia possui algumas bonecas que ficam no seu colo em sua cadeira de rodas. Uma dessas bonecas é negra, a preferida dela. A filha que cuida dela se refere a essa boneca como a "neguinha", e então quando foram pegar a boneca para ela, houve um certo receio de ser referir a boneca por "neguinha". Achei engraçado elas ficarem cheio de dedos por isso. Uma bobeira, demos risadas, mas acho que eles ficaram meio impressionados com um negro em casa, um fato diferente. Recebi muitos abraços, e bebi muito, nessa viagem, acho que meu consumo foi acima das 30 latas por dia.
Após almoço, partimos para roça, caras, eu sou meio baiano, sou meio de roça, mas la do nordeste. Fiquei boquiaberto com o tamanho das plantações. Imenso mesmo. Cheguei la, uma fazenda tocada por apenas um homem, com uns 60 anos. Tonhão toca sozinho uma produção de cerca de 35 mil frangos a cada 45 dias. Um trabalho sem fim, porém, a tecnologia auxilia bem. Sensor de temperatura, de umidade, de ração.... a limpeza ainda é braçal, e o material dessa limpeza é feita a compostagem e usada como adubo. Coisas que aprendi sobre criação de frangos.
Ainda em conversa como Tonhão, descobri que falta mão de obra no campo, por isso ele fica quase que impossibilitado de tirar algumas férias, e explica que isso se deve a um melhor poder aquisitivo das famílias, que agora estão formando agrônomos, arquitetos, veterinários e afins. Realmente, apesar de todo trabalho duro que ele tem, eu acho que tem uma vida boa, uma casa grande, algum conforto. O que eu mais gostei do lugar, na verdade, foi a ausência de vizinhos, por kilometros. Porém, a violência vem sendo um problema, com muito roubo de agrotóxico, que tem venda controlada e talz, mas é muito visado pelos bandidos, que entram na propriedade, rendem a família, e levam tudo, isso sem contar os moveis, veículos e talz . A única defesa dos moradores são os cachorros e a si mesmo. Inclusive, nesse tema, me mostrou 2 armas que possui, 2 espingardas, uma com mais de 100 anos que segundo ele e meu sogro, tem mais de 100 anos, calibre 28, a única marca de possui é a inscrição "aço fino" no cano, que diz ser um atestado de qualidade. O que me chamou atenção foi fato de ter 2 gatilhos, uma para cada cano. O tranco parece ser bem forte, mas não foi dessa vez que experimentei. A outra, ja era mais moderna, com uma mira e talz. Acho mais que justo ele ter essas armas, a policia, que esta a muitos kms de distancia, não parece ser opção.
Na fazenda ha uma reserva ambiental, pequena e comparação a fazenda, mas é uma area grande, descobri que la existe uma tal jabuticaba do mato, que é uma jabuticaba maior que um limão (WTF!!!!) e tem algumas plantas frutiferas, como a novidade (para mim) caja-manga, uma fruta que lembra a manga mas possui um gosto mais acido, lembra a seriguela que era comum na Bahia, porem, bem maior. Tem um pé de açai, e o meninão aqui, esperto e fã do açai, pegou a frutinha, olhou e cravou o dente. Mano, a poupa do açai é só casquinha fina, o resto é tudo caroço. Como deve ser trabalhoso produzir o que consumimos.... Soube que estão usando o caroço do açai para produzir um tipo de café, alguem sabe algo sobre?
Ao contrario do que imaginava, os fazendeiros apoiaram muito a reserva ambiental. Segundo o Tonhão, desde que foi feita, o nivel das nascentes nunca diminuiu. Além de trazer muitos animais de volta... o que gera alguns problemas. As capivaras, por exemplo, cresceram absurdamente e começou a dar grandes prejuizos as plantações de milho, a solução, extinção. Mataram todas, não tem nem para remédio. Parece que os proximos são os quatis (primos do Rocket Racoon), estão sendo tolerados ainda, mas andam em bandos cada vez maiores. Fora isso, eles tem uma conciencia ecologica muito legal, não são aqueles rednecks que comem qualquer coisa que se mova.
O conceito de familia parece ser bem mais forte por la, as pessoas parecem ser mais unidas do que por aqui. Me senti em casa mesmo galera.
Ficamos 2 dias, tomamos um refrigerante que é feito na região, de abacaxi, escrito que tem 10% de fruta, não sou fã de refrigerantes, mas até que é bom. Comprei algumas unidades de 2 cervejas que vi no supermercado e não existem aqui na minha cidade, mas depois descobri que tem em Sorocaba tb. A 1500 e a Burguesa, mas ainda não tomei.
Mas algumas futilidades:
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2018.01.29 16:06 cobawsky Portugal/Lisboa e os Brasileiros, preconceito ou cultura? Esta foi a minha experiência.

Olá amigos do /Brasil, uma vez por ano eu venho aqui postar alguma coisa. Pois bem, eu moro na Europa faz um tempo, vim a trabalho e gosto bastante de viajar por aqui por ser um amante da história e este ser o "Velho Continente". Vim visitar uns amigos na Espanha e como é tudo muito perto eu aluguei um carro e fui para Lisboa, já que parte da minha família emigrou da região e eu queria conhecer algo por lá.
Vamos ao assunto...
Fomos com uma amiga que estuda na Espanha mas morou e trabalhou em Lisboa para poder pagar as contas, ter um pouco de laser e etc... Ela acabou optando por estudar a segunda etapa na Espanha devido a má experiência que teve em Portugal. Minha primeira impressão foi de uma cidade bem 'completa'. Geografia mista, arquitetura bem interessante, e claro, muitos turistas e ainda mais agora que ando vendo propagandas de Lisboa em várias agências de viagem pela Europa. O depoimento dessa amiga sobre sua experiência em Lisboa (e em algumas partes de Portugal) era de que Brasileiro é bem descriminado por ali, a fama é de que 'as mulheres são putas e os homens vagabundos'. Que "ficar com brasileira é fim de festa e você quase não encontra portuguesas ou portugueses em relacionamento com brasileiros". Dizia que foi muito mal tratada quando trabalhava em uma gelateria na cidade, sendo menosprezada e discriminada várias vezes. Não só por estar em um subemprego mas também por ser brasileira (mulher). Eu sou bem cético com toda opinião alheia, e ainda mais pelo fato de que essa pessoa era uma alguém que eu havia conhecido fazia tipo dois dias por ser uma amiga em comum de um casal de amigos meus que mudaram para Espanha para terminar o mestrado (este casal já conheço de longa data do Brasil, são amigos próximos). Realmente não sabia se ela era uma daquelas malucas que recebe tudo com negatividade por onde quer que vá, creio que vocês sabem do tipo de pessoa que estou falando, trouble makers. Pois bem, tendo essa parte explicada, vamos para a minha experiência.
Eu normalmente prezo por um atendimento (talvez qualquer pessoa faça o mesmo? Não sei) que seja pelo menos básico. Pode ser até que a comida demore, mas se pelo menos conseguimos fazer o pedido nos primeiros 10 minutos no lugar eu já fico tranquilo pois já passei a batata quente pra mão do garçom. Fui a um shopping, já que não sou muito do luxo, passei por 3 restaurantes e nada de ser atendido. Um deles fui até o balcão, a atendente me pediu pra sair por que não podia sentar lá dentro, sabe-se lá por que, e mesmo assim ficou no caixa contando moedas e não veio me atender por mais ou menos 10 minutos. Fui embora sem comer. Depois fui a um outro restaurante que haviam angolanos no balcão. Ali funcionou, a comida MUITO boa e o atendimento nota 7,5. Até aí, pensei que era algo cultural, pensei: "vai ver a coisa funciona assim aqui mesmo, eu sou de fora, não cabe a mim querer mudar mas aceitar e aproveitar a viagem". Eu sou bem tranquilo, não costumo reclamar muito e aceito bem o ambiente ao meu redor.
Ok, depois de perambular pela cidade e ser oferecido todo tipo de droga ao pé da orelha, especialmente por ser brasileiro. Notei que, antes de oferecer, eles chegam mais perto para tentar saber que tipo de língua estávamos falando. Notei que isso acontecia com pessoas de outros países também, quando o traficante falava a mesma língua, ou vai ver era do mesmo lugar sei lá. Vi sim alguns brasileiros pelas ruas com um certo comportamento duvidoso. Ouvi algumas conversas que realmente remetiam-se à algumas coisas estranhas, prefiro não especificar o que. Dava pra notar que eram brasileiros mesmo, pelo sotaque e comportamento. Mas enfim, ninguém me amolou fora os traficantes.
No final da noite, antes de tomar a estrada pra voltar pra Espanha fomos comer em uma Tasquinha (um pequeno restaurante de bairro). Um amigo nosso que vive lá já faz uns anos ligou para reservar mesas (uma prática comum por toda a Europa). Ao chegarmos o restaurante estava cheio e o garçom, que era também o dono, foi um pouco rude dizendo que não haviam mesas e mais nada disse, mesmo tendo dito que ligamos pra reservar. Meu amigo virou pra mim e disse que não era com ele que havia falado ao telefone. A esposa do dono, que estava na cozinha veio até nós, bem educadamente e nos disse para aguardar lá fora que já iriam liberar as mesas. O atendimento com ela foi acima da média. Éramos 5 e na mesa haviam 6 cadeiras. Estávamos próximos da porta e eles haviam arrumado o restante das mesas para acomodarem uma boa galera que estava pra chegar. Não dá pra explicar muito bem mas, as pontas das mesas meio que estavam muito próximas e quem quer que se sentasse nas duas cadeiras da ponta iria meio que trancar um pouco a passagem, mas nada super complicado que não desse pra se espremer um pouco pra passar. O lugar era bem pequeno. Como cheguei primeiro, pensei que quem chegasse depois poderia se virar com a cadeira na passagem ou até mesmo já termos ido embora e o problema estaria resolvido. Mas não, o dono me pediu pra mudar de lugar pra não trancar a passagem e novamente não muito educado. Eu não ligo de mudar de lugar, mas acho que a maneira em que se pede é importante. Não entendi nem por que colocou uma sexta cadeira ali já que éramos 5, pra ser bem sincero. Os portugueses chegaram pra comer, o atendimento era outro, educado e de prontidão, e para nós, demorado muito e de má qualidade. Rolou até um "haja paciência com brasileiros" da boca do senhor. Meus amigos até quiseram levantar para reclamar e eu pedi pra se acalmarem e não esquentarem a cabeça que daqui a pouco a gente já iria embora. Juro por tudo que é mais sagrado nesse mundo que eu respeito tudo e todos, sou super educado com todos. Por favor e obrigado vivem comigo o tempo todo, sou uma pessoa de bem com a vida, e os amigos que estavam comigo tem mais ou menos o mesmo espírito. Eu fiquei sem entender até agora o motivo do tratamento.
Bom, o texto já virou um livro. Resumo da ópera, tive uma má experiência em Lisboa. A cidade é bonita mas me ofereceram muitas drogas. Tipo, eu FUMO maconha, mas eu não estava lá pra fumar maconha, eu fumo uma vez por mês. Mas já estava cansado ser parado a cada 5 metros pra tentarem me vender algo. Se tivesse sido tipo 2 vezes até vai, mas era a todo momento ali no centro. E aconteceu o mesmo com vários amigos que estavam conosco. O atendimento foi péssimo. Eu sei que pra capitais na Europa (até no Brasil) a coisa nunca é as mil maravilhas, a não ser que vá em restaurantes caros. Aí no Brasil (digo por São Paulo) você não precisa ir pra restaurante 5 estrelas pra ter atendimento de primeira. Especialmente em Sorocaba, que é de onde venho. Eu estive em vários países por aqui e nunca passei por isso. Espero que eu esteja mal acostumado com o atendimento alemão, mas espero que tenha sido um mal dia em Lisboa, apenas isso.
É triste ver que uma parte dessa galera que emigrou para Lisboa tenha criado essa má reputação sobre nós todos. E infelizmente, perdi minha vontade de voltar para Lisboa, não posso dizer Portugal, mas acho que não volto pra Lisboa. Uma pena. Até agora tinha tido muitas experiências boas na Europa toda, foi a primeira vez em muito tempo. Se o objetivo de alguns de lá é espantar turistas brasileiros de Lisboa, funcionou bem comigo. A estratégia está ó, bem boa.
Opiniões? Algum português por aqui?
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2017.10.09 05:46 pedrothegrey Magnum Opus

I. Nigredo
"Considere o instante inicial, o instante no qual toda ciência atual falha em compreender, em que toda matéria, espaço e tempo, estavam comprimidos em um tamanho infinitesimalmente pequeno e de repente... Bang. É assim que se cria um universo. Considere as famílias destruídas no oriente, os pais e mães que já não sentem a perda de um filho pois já perderam tantos, e os pais e mães que se unem para assassinar os de seu sangue. O sorriso escondido de um padre para uma criança, as guerras e as lágrimas derramadas. As discussões inflamadas de duas partes erradas, o casal que já não se ama e o que não pode se amar. Jackson Pollock entendia a forma do mundo, e o ele é caos. Formado pela causa primeira, antes mesmo de Deus existir já existia o acaso, e é dele que somos filhos. Mas ao menos nós, desde o século XX, temos lidado com esse problema de forma direta, diferente das eras anteriores, onde nos escondíamos em cobertores metafísicos por toda a vida, utilizando a mesma bengala invisível que data de Aristóteles. Mas não se engane com meu tom, não sou uma personagem melancólica, tampouco acho esperança no vazio, respondo apatia com apati..."
Eu paro de digitar subitamente. Meu chefe se aproxima do meu cubículo e me lembro que estou com um relatório atrasado. É o segundo esse mês, droga. Não entro em pânico, deixo que ele venha e abro rapidamente o Microsoft Word. Quando ele chega, se depara com uma tela vazia. Ele para atrás de mim, é um homem não muito alto, com cabelos brancos e um pouco gordo. Veste-se sempre com calças e sapatos marrons e camisas listradas verticalmente de variadas cores. Tinha um inconfundível cheiro de cigarros e suor seco e um olhar quase morto.
– Acho que eu nem precisava dizer isso - Disse ele -, mas o relatório da semana está atrasado. Alberto, essa já é a segunda vez, teremos que fazer disso um aviso formal.
– Chefe, eu peço desculpas, de verdade. Estou tendo alguns problemas e...
– Não quero ouvir mais nada, Alberto. - Disse, me interrompendo - Trate só de não atrasar mais nada. E quero o relatório ainda hoje na minha mesa.
Ele sai do meu cubículo assim que termina de falar. Eu espero ele entrar no escritório e saio para beber água. Puxo um copo de um daqueles saquinhos e entorno água gelada nele. Bebo toda a água em um gole e quando deixo o copo abaixar, Beatriz está olhando para mim. Ela é uma mulher baixa, já tem filhos, se veste com inconstância e não tem um cheiro característico. E além disso, ela é a supervisora do meu setor.
– Outra vez essa semana? - Ela perguntou com uma voz áspera - Você não se importa com esse trabalho? Está ansioso para perdê-lo? Você sabe que só não foi demitido ainda porquê eu conversei com o chefe. Tem muita gente querendo a sua vaga, sabia?
– Olha, Beatriz, eu estou com problemas pessoais. - Respondi, gentilmente - Eu trabalho aqui há 5 anos e nunca faltei sem motivo, nem atrasei nenhum relatório antes. Esse é um caso isolado, garanto que não vai acontecer mais.
– É muito difícil construir uma reputação, mas é muito fácil acabar com ela, Alberto.
Ela continua babando enfurecida, e eu desvio minha atenção. Olho para o relógio e já são 18 horas, finalmente. Desço para o estacionamento, entro no carro e vou pra casa. Um pouco antes do meu bairro, beirando o asfalto, se ergue um pântano denso. Com pequenas canaletas que seguem correndo por baixo das raízes altas, as folhas e a grama que caem podres quase derretem quando nadam gentilmente na superfície dos pequenos rios que correm ali. Aquele lugar tem um aspecto quente, úmido e isolado. Em uma parte da rua, andando pelos arredores do pântano, pelo asfalto, se abre um pequeno caminho, uma trilha, que segue para dentro do pântano. É praticamente invisível, só depois de alguns anos olhando, todos os dias, para ali, que eu pude notar a tal trilha.
Chego em casa, ligo o computador e assisto alguns filmes e vídeos. Me distraio por duas horas, esquento uma comida velha e vou me deitar. Costumo sempre me deitar virado para a janela. Neste dia, um pouco antes de me ajeitar de baixo do cobertor, vi, parado na janela, um corvo. Ele bicava a janela, como que pedindo para entrar e virava seu rosto para o lado, tentando me encontrar com seus olhos sem brilho. A lua foi logo encoberta por nuvens e os ventos ficaram mais e mais fortes. Eu precisava dormir, no dia seguinte eu ia ter trabalho em dobro. Do lado do móvel da cama tinha um livro velho, que eu usava para apoiar os pés da mesa da sala, e o jogo na janela. O corvo se assuta e voa para longe, mas a tempestade continua a se formar.
Eu acordo às 6. Pego meu café amargo e sento na cama, e me ponho a olhar para a janela. Uma espécie de agonia cresce em mim, inominável, mas de presença inquestionável. Olho para o jardim suspenso que fica no muro da casa, bem atrás da janela. Minhas flores morreram, maldita tempestade. Me arrumo, entro no carro e saio. Passo pelo pântano, austero, tento não dar muita atenção para ele. No meio do asfalto, um cachorro morto, atropelado. Seu intestino se estica até a calçada, mas não por mero acaso, um corvo o puxa, mais e mais e mais. Ele olha para mim novamente, virando o rosto para o meu, sinto uma risada no ar e o corvo voa.
Estaciono o carro e dou meu primeiro passo no escritório. Logo ouço a voz de Beatriz.
– Já são três erros graves essa semana, Alberto. TRÊS! Eu estou indo conversar agora com o chefe.
Eu me lembro nesse instante, tínhamos uma conferência mais cedo hoje. E eu já tenho dois avisos formais. Droga, é hoje. Bebo água, cansado. Tenho uma longa, jurídica e tediosa conversa com o chefe. Despedido. Dizem que piadas não precisam ser boas, elas só precisam do timing certo. Mas estragar o timing da piada pode ser, por si só, uma piada. Quando comparam a vida com uma piada, não é à toa.
II. Albedo
Passam-se duas ou três semanas, e minha vida consiste em caminhadas da cozinha até a sala e da sala até o banheiro. Já não leio mais como antes, nem ouço músicas, nem vejo filmes. Eu somente deixo uma tela ligada saindo qualquer tipo de som e imagem. Estou alheio. O dinheiro está acabando, minuto a minuto. Eu deveria estar procurando outra vaga em outro escritório, mas eu não estou. Eu me deito no sofá divagando, pensando em todas as oportunidades que tenho agora, tantos escritórios que poderiam me contratar. Sonho que entrego o curriculum e ele é lido seguido de um longo sorriso e um aperto de mãos. Imagino meu primeiro dia, a bela secretária me oferece café, eu aceito cordialmente. Os primeiros apertos de mão e os primeiros sorrisos dos novos e revigorados colegas de trabalho. O trabalho de memorizar os novos nomes e rostos.
Mas tudo não passa de sonhos de sofá. Meu celular começa a convulsar.
– Alô?
– E aí, Alberto? Há quanto tempo! - Disse a voz.
– Desculpa, quem é mesmo?
– É o Carlos. Você está sumido, está tudo bem por aí?
– Sim, sim. - Uma breve pausa - E por aí?
– Tudo normal. Vem cá, nesse sábado quer tomar um Chopp?
– Ah, bom, eu não sei. Que dia é hoje?
– Quinta... Você está perdido mesmo, cara. Até esqueceu o dia. - Disse, rindo.
– É. - Ri forçosamente - Eu tenho que ver, tenho um compromisso com alguém, se acontecer de desmarcarem eu te aviso. Mas agradeço o convite.
– Eu te conheço há 20 anos, cara. Recusar o convite eu entendo, mas você com um compromisso com alguém? Essa é nova. Bom, aproveite. Me ligue se precisar de alguma coisa.
Por mais ofensivo que pareça, ele não deixa de estar correto. Colecionei pouca gente ao longo dos anos, é verdade. Eu posso repetir a hipótese de que os livros e os filmes realmente me fizeram companhia, ou eu posso aceitar a verdade. Eu sou chato, talvez até desinteressante. E digo isso com muita sinceridade. Em um olhar indiferente para a janela, vejo no quintal alguns pombos brancos que ciscam a grama e os restos da ração do cachorro. Fossem canários, eu teria admirado por mais tempo, mas pombos só nos inspiram ódio e violência. Dessa vez foi ligeiramente diferente, apenas senti afastamento. Era uma cena bonita, mas nem tanto. Meu cachorro estraga um momento sublime perseguindo-os e eles voam, barulhentos.
No fim do segundo mês já não há mais dinheiro. E se não havia vontade e determinação para seguir um emprego, agora não havia nem mais a cogitação da possibilidade de seguí-lo. O isolamento agora é rotina e o jejum não é mais voluntário. Vasculho todas as gavetas e os armários e não encontro nem uma migalha de pão. O dia chegou em que eu sairia de casa sem nenhum tostão. Tenho um estranho ímpeto de colocar meu casaco, como se eu não tivesse mais como voltar naquela casa. Passo por cima da minha alma, como sempre, e não presto atenção nos detalhes. Ponho o pé na rua e o sol castiga o asfalto, é quase possível ouvir ele gritar de tanto calor. Sigo andando para frente, pensando que talvez o destino me guiasse para qualquer lugar, mas quando percebo é tarde demais. Estou fazendo o caminho para o antigo escritório e na minha frente se ergue a trilha escondida.
Monstruosamente denso, com raízes altas das árvores e rios de água densa e quente (quase borbulhante), o pântano se apresenta para mim. Escuro, denso e isolado, tudo que um indigente precisa. Começo a andar pela trilha, pisando cuidadosamente, tentando evitar a lama mas no quarto ou quinto passo meu tênis já estava encharcado. Eu olho para trás e a visão do asfalto já havia sumido há, parecia, algum tempo. As árvores escuras se mexiam e faziam muito barulho. Os galhos se quebravam na ausência do vento. O pântano estava me recebendo com uma festa. Repentinamente, a paisagem densa acaba e dá lugar a um pequeno círculo plano na raíz de uma montanha, circundado por esse rio sujo que segue para a trilha de onde vim. Ali, naquele pequeno oásis de mansidão, existe uma árvore que se destaca das negras árvores do pântano. Se ergue ali, uma frondosa macieira, carregada de belas e suculentas maçãs, rubras como o olhar de uma mulher ou o crepúsculo de verão.
III. Rubedo
Sacio minha fome com duas ou três maçãs e me sento na sombra da árvore. Me incomodava, durante a trilha, a ausência de sol que assolava e umedecia o lugar, mas agora que me batem os raios de sol no rosto, prefiro me esconder na sombra de uma bela árvore. Eu não procurava sombra, mas abrigo. Eu puxo meu celular do bolso para conferir e, por incrível que pareça, ainda havia sinal de telefone. Me ponho a rir. De que adiantava o sinal agora? Para quem eu iria ligar? E tudo para quê, voltar para casa? Não, a macieira é minha nova casa de aluguel. Foi por causa dela que não morri, e é por ela que, agora, vivo.
Em pouco tempo, vejo as desvantagens do meu novo imóvel. Um pequeno residente do pântano, ou talvez um morador da montanha na qual estávamos encostados, um esquilo, bebe água do rio quente que segue para a trilha. Em movimentos rápidos ele olha para mim, e volta a beber, olha e bebe, olha e bebe, olha e... cai. A água parece ser veneno, afinal. E o esquilo boia e segue a corrente do pequeno rio.
Eu começo a pensar em como eu posso me sustentar aqui, sem água. É fato que as maçãs tem bastante líquido, mas é possível sobreviver somente com isso? E além disso, em pouco tempo eu teria esgotado o estoque de maçãs e não posso esperar algumas semanas para comer mais. Eu estava em um dilema. Eu não posso voltar pela trilha, pois ela sumiu. O pântano somente me trouxe aqui, e não pretende me deixar voltar. Só me resta, portanto, tentar subir a montanha. Esse empreendimento resultou ser mais difícil do que parece. A raíz da montamha é íngreme, e todo passo dobra meu esforço. A grama fina e mole não me deixa segurá-las com as mãos e usá-las como cordas. Eu tento, em vão, inúmeras vezes subir a montanha e sou cuspido dela em todas as tentativas.
Eu caio pela última vez, e o sol agora se prepara para ir embora. As sombras mais pesadas começam a cair e o azul do céu fica cada vez mais pálido. Meu destino se apresentava diante de mim e tudo que eu devia fazer era abraçá-lo, somente abraçá-lo. A luta, a perseverança e a esperança são atributos da luta contra o destino. Quando o homem se curva perante a vontade da natureza e entende o propósito verdadeiro da sua existência, é lhe dada uma estrada suave para caminhar. Tão suave que qualquer um, até mesmo um indigente - melhor dizendo, especialmente um indigente - pode caminhar por ela. E com um destino tão belo, tão belo.
O momento é sublime. A beleza daquela hora me emociona profundamente, e choro, enquanto uma infusão de vermelho com o já pálido azul se mostra na abódada acima de mim. Me levanto e seco as lágrimas, pego uma maça e dou uma última mordida. Tiro uma semente e a jogo para cima da montanha. Quando o azul do céu já se contorce e se desmancha, e as sombras são cada vez mais pesadas, eu coloco minha mão no rio e bebo da água quente do rio. O pântano aplaude com galhos quebrando, folhas espalhando-se e raízes se mexendo. E eu caio em paz, ao lado da frondosa macieira, para sempre minha casa.
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2016.07.18 14:45 999Luzeiro A praia está perdida

publicação original no Medium
Eu sempre subi àquele terraço em dia de festa. A arquitetura brutal, o piso grafite e a irremediável falta de uma paisagem que preste (comum à capital, aliás), jamais foram capazes de reduzir a alegria que sinto ao visitar minha única irmã. Percebo, desta vez, que o luto se expressa pelas varizes nas paredes que rodeiam a escada, no metal frio e azedo do corrimão e, finalmente, na sensação de pisar em um cinzeiro proporcionada pelas placas erodidas do piso. A feiura é oportunista, e no dia de hoje, saiu em carnaval.
Lá estava o meu cunhado, abaixo de uma das pontas do varal, investigando pelos espaços vazios do gradeado uma possibilidade de escorrer pelas paredes externas do prédio de nove andares. “Você comeu, Felipe?”, foi o meu único cumprimento possível, e “Hum, comi” foi a única resposta que lhe pareceu honesta. É claro que comeu — alguma vez na vida — mas duvido que tenha tido estômago para reiterar tão prazeroso e exigente hábito, hoje. Hoje não, pois o meu cunhado, marido da minha única irmã, perdeu o único filho. Meu único sobrinho e afilhado. Minha dor não é pequena, mas no topo do pódio da orfandade inversa, temos a minha irmã, coroada de espinhos e de cama há dois dias. Em seguida, Felipe Remador, estático no terraço em pleno inverno e com o estômago vazio. Talvez eu em esteja em terceiro lugar, junto com a namorada do Léo, não sei. O que sei é trago as notícias, como um relâmpago invisível que transformará os tímpanos do ouvinte em peito.
“Escuta, Felipe.” E descrevo como um apresentador de telejornal excessivamente soturno o desdobrar dos fatos do dia: encontraram o corpo preso ao recife, poucas escoriações, a causa mortis foi mesmo o afogamento, está tudo acertado para o enterro amanhã, no Parque da Colina. Falei com a mãe da namorada, ela não vai, está em choque. Aquele menino, Raul, ainda não voltou a Belo Horizonte. Me ligou do celular do Léo, estava com uma voz tenebrosa. Está tudo pago, não se preocupa. Eu estou muito bem empregado e não é hora de falar disso. E dou sequência, como ventania: “Preciso te contar uma coisa, Lipe, o Léo me ligou no dia anterior ao sumiço, e a conversa estava mais estranha do que de costume…”
“Eu comi, sim. Tem macarrão, se você quiser.” E me corta como se nos falássemos pela internet, com enorme atraso. E começa a me contar do filho: coisas que eu já sei, mas só me resta ouvir mais uma vez.
Leonardo Remador nasceu com o cordão umbilical em volta do pescoço, sem choro e nem desespero. Nasceu sorrindo. O obstetra achou que estava se contorcendo pelo sufoco, mas não: era um sorriso mesmo. “Esse é forte, corajoso” — daí ‘Leonardo’ — disse, para encher o pai de orgulho, enquanto a enfermeira entregava o Príncipe aos braços da mãe. Era um Príncipe, quase enforcado, porém um Príncipe, como são todos os recém-nascidos após a Proclamação da República. Não parava de se mexer e olhar ao redor, como se procurasse por mais um corda para se amarrar, e se apertar.
Começou a andar com oito meses (o que o pediatra considerou um recorde) mas o pai já reparava que muito antes o guri já ensaiava ficar de pé. Era uma brincadeira nervosa: apoiava-se nos joelhos e esticava as pernas trêmulas, e em dois segundos caía. “Toda criança faz isso”, diz o pediatra sem querer estregar o encantamento do recém-pai. “Não”, continua Felipe, “ele não cai e chora. Ele cai a dá a maior gargalhada. E se levanta e se joga de novo. E ri. Se já soubesse falar ia chamar isso de ‘brincadeira da gravidade’, sei lá”. E descreve a forma como o filho olha para baixo ao cair, como se quisesse testemunhar cada segundo do trajeto. “Às vezes o Léo tem um senso de humor maior do que o das outras crianças”, desconversa o jovem doutor, voltando os olhos adestrados ao monitor adestrador do computador.
Aos cinco anos chorava e dava escândalos quando o pai se negava a dar uma volta de motocicleta com ele pelo quarteirão. Quando o seu desejo era atendido aos finais de semana, voltava para casa dócil e calado, prestes a cair no sono e recompensar os pais com o silêncio que o casal tinha antes do Príncipe ter vindo ao mundo.
E ele foi ao mundo: no futebol, só jogava como goleiro pois nas outras posições não podia atirar-se pelos ares e havia menos risco de levar uma bolada na cara. Na natação, perdia as instruções do professor por se interessar mais pela apneia. Se deu melhor nas artes marciais, para o desespero de sua mãe que não suportava ter que aplicar curativos duas vezes por semana. Finalmente, na puberdade, a coragem e o senso de humor exagerado tornaram-se insuportáveis. Gostava de provocar o pai pelo simples prazer de escutar sua voz engrossar e ameaçá-lo. Sentava-se na janela para ouvir música e balançava-se para frente e para trás em um ângulo cada vez menos agudo, cantarolando sossegado até que a mãe o via do corredor e gritava de susto. Só se interessava pelas garotas que já tinham um namorado, e aos treze anos voltou para casa com um olho roxo e os lábios rasgados por roubar um beijo de uma garota mais velha que estava a dois metros do cara mais velho ainda que a namorava. Os pais concordavam que aquilo não era rebeldia pois sempre que aprontava alguma o adolescente passava os próximos dois ou três dias obediente e calmo. Ele tinha ideias que beiravam a burrice e após um longo ano de acidentes e notas baixas, foram atrás de especialistas, pois o primeiro médico que o tocou estava mesmo errado. Leonardo, segundo o psicólogo, era um bom rapaz, mas era melhor ir ver um psiquiatra. O psiquiatra — que por curiosidade saltava de para-quedas nos finais de semana — também não viu nada de errado no garoto, mas por via das dúvidas, recomendou um amigo neurologista. Após mapear o cérebro de Léo, confirmou a boa saúde mental do rapaz, mas seguiu uma pista em sua circulação sanguínea nos exames de rotina que o levava a crer que o nível de adrenalina era muito mais alto do que o normal. Com a ajuda de um endocrinologista constaram que a coragem de Leonardo era na verdade uma doença rara em suas glândulas renais que produziam uma quantidade excessiva daquele hormônio, viciando das íris aos pulmões, passando pelo coração e todos os músculos. O pai teve que vender a moto e um carro, mas pagaram o tratamento e aos dezesseis Léo já não andava mais com sua bicicleta sem freios pelo bairro. Apesar de não ser dos mais espertos ou um dos mais bonitos, tinha um talento único com as mulheres, já que a possibilidade de rejeição o atraia, coisa que não existia em homem algum. Aos dezenove, arrumou uma namorada sem namorado, Júlia, e achava o máximo quando a menstruação dela atrasava alguns dias, e é claro que não era nem um pouco favorável ao uso de preservativos. Dizia apenas que era uma pessoa simples e que gostava das diversões curtas pois a vida, em si, era mesmo curta. Raul, um dos seus amigos mais antigos, ria e dizia que o problema é que os momentos simples de Léo poderiam encurtar a vida mais ainda. Era grato ao parceiro, pois mesmo sem se interessar por um baseado, Léo era o único disposto a entrar com ele nas favelas para comprar aquele mato amassado.
Apreensivos, os pais viram o garoto tirar a carteira de motorista. Nenhum problema, a não ser as multas por excesso de velocidade que eram pagas pelo próprio rapaz, que se virava na papelaria do pai do Raul. As pessoas que conviviam com ele acabaram se acostumando e até mesmo os pais deixaram de se preocupar tanto e esqueceram que “o jeito dele” era um problema sério. Júlia, segundo um psicanalista freud- ou junguiano (precisamos diferenciar charlatões?), no fundo morria de tesão por caras irresponsáveis, Raul (nas palavras de uma pedagoga do Ensino Médio) também não era exemplo de comportamento e assim Leonardo tocou sua vida abusando da sorte.
Acontece que, mineiro que era, Léo poucas vezes foi ver o mar, e só o fez ao lado dos pais, que não gostavam muito de areia. Aos vinte e um foi ao litoral capixaba com Júlia, amigos dela e o tal do Raul. Uns dois ou três dias antes da data da volta para casa, Léo me ligou. Ouvi o pequeno trip journal que, não sei porque, decidiu me contar ao custo de todos os créditos do seu pré-pago. Começa bobo e vai escurecendo, como a apresentação de um palhaço trágico, e eu me arrependo de não ter anotado algumas partes, ou gravado a conversa toda.
Em janeiro, o sol derramava-se do alto e refletia na areia e no mar, queimando sua pele branca e agredindo seus olhos não muito escuros. Gostou daquilo, mas logo à frente estava algo que o seduzia muito mais, o próprio mar. Não entendia como tantas pessoas aguentavam ficar o dia inteiro sentadas em cadeiras de plástico bebendo e comendo ao redor dos quiosques sem nem se aproximar das ondas. Logo no primeiro dia, subiu com Raul em um morro baixo com os pés descalços e sentaram-se em rochas negras que um dia formaram um coral. Enquanto o amigo apertava um, viu uma mulher alta e bronzeada, de cabelos morenos e músculos bem definidos mergulhar nas águas e nadar por quatro minutos, sem parar, traçando uma linha quase reta. Ao distanciar-se da praia, as ondas tornaram-se maiores e algumas pessoas já acenavam para que ela voltasse. Desapareceu atrás das ondas por alguns segundos, e, depois, sorrindo, nadou de volta como se estivesse em uma piscina rasa. Gostou daquilo.
Nadou com Júlia um bom tempo pela tarde, sem se arriscar de mais. Toda vez que olhava para a linha do horizonte, se distraía a ponto de deixar de escutar o que a namorada falava. Lembrou-se de como aquela morena conseguiu ir tão longe com tanta calma. Gostou daquilo, mas gostou de mais. À noite, após uma bebedeira na casa dos pais de um dos amigos de Júlia, Léo teve sonhos agitados. Quando acordou, lembrou-se de três: primeiro, mordia o cano de uma arma de fogo que um homem encapuzado que apontava para sua cabeça, rindo da falta de coragem do assaltante em disparar. Em outra situação apontava para a namorada que trocava de roupa, mostrando para Raul. Por fim, sonhou que nadava no fundo de um lago e respirava normalmente embaixo d’água, sem precisar voltar à superfície.
Saiu sozinho para comprar pão e o que mais precisassem. Como em qualquer cidadezinha do litoral do Espírito Santo, encontraria uns cinco botecos para cada padaria ou mercearia — se a mercearia vender cerveja, não sei dizer como ficaria a conta, mas enfim, por uma questão estatística decidiu tomar uma antes de cumprir a sua missão de levar comida à namorada e aos amigos.
Ao final da primeira garrafa daquela cerveja fraca mas bravamente gelada, Léo olha em volta e percebe a presença da nadadora alta e morena. Não a tinha visto ali, sozinha na outra ponta do balcão, que era em éle e permitia tal ponto cego. A moça olhava para ele e achava graça da miserável atitude do menino de quase torcer a garrafa que já havia acabado. Ofereceu a sua, cheia, e lá vai Léo conversar fiado com uma mulher linda e aparentemente solteira ao invés de levar pão para a namorada. “Ela achou o meu sobrenome o máximo, tio. Disse que eu devia nadar muito bem, porque, ‘Remador’, né. Mas já devia estar bêbada. Achava graça de tudo. Meio doidinha, acho que não estava me dando mole, só tentando escapar de um cara lá que não parava de mexer com ela. Mas eu não vi o cara. Eu estava tranquilo também, cê sabe que eu gosto muito da Júlia. Mas então, cê lembra daquela menina que nadava comigo na equipe da escola? Você já deu carona pra ela. É a cara, tio. Eu pensei que fosse ela.” Tirei o celular do ouvido para ver o tempo da conversa no display. 52 minutos. E o menino não parava de falar. “Vai comprar o pão, ô sem vergonha.” E ele me obedeceu e desligou.
Olha, apesar dos quarenta e poucos, eu sou um homem bonito. Na verdade, eu sempre fui. E mesmo assim, uma morena dessas nunca me abordou em boteco copo sujo de praia. Só uns tios e uns hippies para me pedirem o isqueiro. E eu adoro morenas, Léo.
Léo.
O que aconteceu com você? O Raul me contou de uma briga com um rapazinho local — aliás, eu preciso achar o Raul — e agora as hipóteses florescem na minha imaginação, que não tem sono desde o contato da polícia.
Passaram os próximos dias longe da praia, fazendo trilhas e visitando os arraiais à procura de festa. Com Júlia sentada em seu colo (eu só via vocês nessa posição, encaixavam bem, até), estava em um boteco ao lado da praça da igreja de uma vila. Bebiam cerveja e viravam doses de cachaça da pior qualidade enquanto um forró soava indecifrável abafado pela voz de umas dezenas de pessoas que ocupavam as calçadas. Foi surpreendido por um grito de Raul que levantava a voz para um adolescente, prestes a agredi-lo. Pediu para Júlia levantar-se, a garota não atendeu imediatamente e quase foi derrubada no chão por um homem de sorriso estranho que até o minuto anterior era o namorado que com carinho passava as mãos quentes em suas pernas. A coragem imbecil que custou um carro e uma moto ao pai de Leonardo agarrava o adolescente pela nuca e bateu o rosto do rapaz com força em um banco de madeira e ferro da praça. Enquanto o sangue corria, alguém acertou uma cadeira nas costas de Léo, enquanto três ou quatro homens mais velhos corriam atrás dele, que escapava. Sumiu no mato, rasgou a perna esquerda nos galhos (uma das escoriações não era de coral, mas aparentemente de vegetação rasteira) e encontrou uma estrada de terra que seguiu por mais de uma hora caminhando devagar, sentindo seu corpo em chamas por conta do coração que parecia ter dobrado de tamanho.
Não sabia o motivo da briga de Raul e nem se importava. Também não se importava da grosseria com a namorada e nem com o fato de que provavelmente alguns homens o perseguiam em uma caminhonete, moto ou jipe com pedaços de pau ou uma pistola semi-automática embaixo do banco. Exausto, alcançou a praia. Sentou-se na areia e viu o sol nascer, vermelho como se estivesse se pondo. Realmente, o sol se punha para você, meu afilhado. Viu uma pessoa caminhar onde as ondas quebravam, chegou mais perto e reconheceu a mesma mulher de cabelos negros que viu no primeiro dia no litoral. A do bar (que… coisa é você, mulher? Shinigami?). Ela ignorou sua presença e mergulhou, nadando mais uma vez em ritmo forte e veloz, até desaparecer na espuma de uma grande onda que quebrou prematuramente. Mergulhou também. Seu corpo em chamas mal percebeu como a água estava gelada. Nadou em compasso olímpico esticando todos os seus músculos, estirando seus pulmões, sugando todo o ar salgado que havia em quilômetros cúbicos. Sem parar as braçadas, abriu os olhos e viu que a mulher nadava ao seu lado, fechou os olhos que ardiam com o sal e quando abriu de novo, ela já não estava mais lá. Quando finalmente parou, viu que ela voltava, derrotada e humilhada pelo novo recordista daquela praia.
Enquanto a água esfriava, olhou para o céu e ficou finalmente satisfeito de uma forma irracional, a única forma que sentia-se satisfeito na vida. Todo o seu corpo vibrava, o prazer era tão grande que balançava os pés sem cansar pra manter-se na superfície sem se cansar. Quando o corpo doeu pelo frio que fazia, decidiu voltar, mas quando olhou para a praia, ela estava distante e uma névoa baixa ia convertendo-a em um ponto invisível naquela imensa massa azul. O corpo esfriou, os pés pararam de se mover, os braços penderam-se ao lado do quadril. Quanto maior o músculo, mais forte a dor da cãibra, e as panturrilhas de Léo pareciam dois mamões. Afundou em silêncio, e sonhou de novo. Sonhou que nadava em um lago escuro e podia respirar embaixo d’água. Sonhou que estava na praia e nadava em direção ao horizonte. Quando quis voltar, a praia estava perdida.
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